«Arthur Christmas» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Versão Portuguesa 2D
 
Arthur é o desengonçado filho mais novo do verdadeiro Pai Natal, neto do Avô Natal e irmão de Steve, o sucessor lógico na hierarquia do Polo Norte e aquele que é apontado como o próximo pai natal. Longe de ser uma família «natalícia», esta parece ter problemas como tantas outras, ainda que exista uma ligação emocional forte entre os seus elementos.
 
Porém, e um pouco como os meios de produção do mundo capitalista de hoje em dia, a operação de entrega dos presentes na noite da consoada é ultra profissional, marcada por inúmeros trabalhadores na forma de elfos que acatam as ordens do seu líder, Steve, e do verdadeiro Pai Natal, que não passa e um símbolo, pois já não toma sequer as decisões primordiais. E tal como o mundo económico em que vivemos, as pessoas já não são pessoas, são números, são estatísticas e médias, algo que vai contra o que Arthur acredita, especialmente depois de uma criança ter – neste sistema ultra sofisticado – ficado sem presente por uma falha na entrega. Mas se Steve acha que tudo foi um sucesso, Arthur não crê e parte numa aventura para entregar o derradeiro presente.
 
Construído para divertir mas apresentando de certa maneira uma critica social à mecanização de uma noite mágica, «Arthur Christmas» acaba por cair na sua própria ratoeira, pois trata o natal como uma mera entrega de prendas física que dão felicidade (apesar de querer passar a a ideia que é mais importante as crianças terem de continuar a acreditar no Pai Natal). Ainda assim há que salientar alguns momentos de arrojo no enredo (nunca tinha visto um Elfo com um piercing), ainda que tudo seja plastificado em algumas hipocrisias e numa versão portuguesa que lhe tira muita graça. Veja-se e compare-se as duas versões. Começamos logo por uma má escolha vocal para a personagem principal, que força uma voz demasiado desenho animado de TV  e que facilmente nos irrita passados uns minutos. Já Steve perde todo o fulgor que a voz de Hugh Laurie podia ter (e remeter por sugestão para outras personagens deste), salvando-se o Avô Natal, que sem dúvida, até pelas expressões adaptadas ao nosso português, é a melhor personagem.
 
Por isso, e tendo em conta que na sala de cinema, que estava repleta de crianças, não existiram muitos risos nem reacções, «Arthur Christmas» acaba por ser mais um filme a falhar neste natal repleto de animações de qualidade mediana para pais caírem na obrigação de entreter os filhos numa sala. 
 
O Melhor: O Avô Natal e os 10 centimos do bilhete que vão para a AMI
O Pior: Trata o natal como uma mera entrega de prendas que dá sorrisos. É tão superficial como aquilo que tenta criticar
 
 
 Jorge Pereira
 

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