Theseus é um mortal, escolhido por Zeus para liderar a luta contra o cruel e brutal Rei Hyperion, que anda a espalhar o caos por toda a Grécia, na sua tentativa de obter uma arma com que possa destruir a Humanidade.
Promovido como uma espécia de sequela de «300» de Zack Snyder, esta aventura épica de Tarsem («The Fall») vai buscar a mesma época e o mesmo local, o mesmo estilo visual sobrecarregado e o mesmo heroísmo desmedido. No entanto, ao contrário da obra baseada na novela gráfica de Frank Miller, «Immortals» é básicamente um filme de pancada – estilizado, bem actuado, mas um filme cujo objectivo principal é oferecer um entretenimento ruidoso e ritmado. Nesse ponto, é maioritariamente bem sucedido.
O herói Henry Cavill e o vilão Mickey Rourke estão excelentes, e as cenas que partilham têm a intensidade de qualquer bom duelo de acção. Tarsem é um realizador extremamente visual e quase todas as suas decisões são acertadas: «Immortals» é bonito de se ver, e é enorme. As cenas mais interessantes são as dominadas pela vidente Phaedra, interpretada por Freida Pinto, que capturam o miticismo certo que se esperaria do filme. Tarsem é um realizador com um excelente sentido de ritmo e composição visual – os confrontos no primeiro e segundo acto do filme são pura aventura mitológica. O confronto entre Theseus e um guerreiro com cabeça de boi pela conquista do arco é uma delícia em termos de filme de heróis.
Infelizmente, «Immortals» acaba por ser uma abordagem bem mais genérica que «300» a este mundo do Grécia Antiga. O filme de Snyder, para bem ou para mal, em todo o seu exagero, assumia o compromisso com o impossível e o “storytelling” sem limites que estas estórias mitológicas requerem. «Immortals» é mais contido e reservado – e os seus elementos fantasiosos são abordados de forma tão ligeira que se tornam aborrecidos e absurdos: os deuses que vigiam e derradeiramente intervêem no filme dão um tom básico e algo displicente ao filme. O mesmo já se passava com a fraca abordagem ao concilio dos deuses que «Clash of the Titans» tinha. Aqui é pior: estes deuses são do mais patetas que podemos ter num filme.
Isto torna-se um problema: quando todas as cartas são postas na mesma, «Immortals» desiquilibra. O choque entre Henry Cavill e o exército de Mickey Rourke é emocionante… mas vai sendo intercalado com a subhistória dos deuses e dos titans que funcionam muitos furos abaixo. A piorar, o longíssimo climax final do filme é feito de excessos visuais e lutas inacabáveis que fazem que «Immortals» quebra muito no terceiro acto.
Uma pena, considerando o epílogo que captura o “feel” correcto e que dá a entender que haveria em «Immortals» uma história mais mítológica e cheia de fantasia que o filme “macho” com que nos temos de contentar.
O Melhor: Henry Cavill, Mickey Rourke e Freida Pinto
O Pior: Tarsem contenta-se com um mero filme de acção.
| José Pedro Lopes |

