Roméo e Juliette são um casal apaixonado. Vivem uma daquelas paixões que, com sorte, se tem uma vez na vida. Têm um filho, Adam. Os primeiros meses correm bem, até se aperceberem que algo se passa com a criança. Depois de muitos exames, é-lhe diagnosticado um tumor cerebral maligno de uma espécie rara de difícil tratamento. Uma história de amor a um filho, o combate a uma doença.
Apesar da tragédia que se instalou sobre as suas vidas, Roméo e Juliette mantêm-se juntos e fortes. Concentram-se nas coisas positivas e contam com o apoio da família. É um filme doce, ao estilo Amélie Poulain, com um narrador que nos relata os acontecimentos e pensamentos dos personagens durante toda a acção. O que é uma pena porque não acrescenta nada ao filme e dá-nos a história de mão beijada, quando as imagens falam por si só.
Adam vive no hospital até aos cinco anos. Acompanhamo-lo até aos três. Por essa altura os seus pais já venderam a casa e mudaram-se para o hospital. É uma bela cena essa em que conversam no corredor, onde mostram os seus medos, o cansaço e se apoiam um no outro. Quando Roméo está deprimido, Juliette fá-lo rir, e vice-versa. Completam-se e ajudam-se. E a alegria prevalece, sempre. O filme poderia ter acabado aí, quando ele a pega às cavalitas, cabendo ao espectador julgar o seu futuro. Um final em aberto. Mas não. O narrador estraga-nos a surpresa, a carícia dessa cena, e diz-nos que Roméo e Juliette conseguiram ser felizes durante os seguintes dois anos. Entretanto, a pressão começou a consumi-los, desistiram dos seus empregos, afastaram-se dos seus amigos, isolaram-se. E o amor não aguentou. Mas Adam vence a doença e vemo-lo com oito anos a festejar a vitória com os pais.
Percebe-se a escolha pelo “escarrapachar” dos acontecimentos, já que este é um filme autobiográfico. A realizadora e actriz Valerie Donzelli, a própria que interpreta Juliette, e o actor Jérémie Elkaim (Roméo) tiveram um filho que passou por uma grave doença, e quiseram fazer dessa experiência dolorosa, algo positivo. Talvez demasiado positivo. Ninguém consegue ser tão forte perante tamanho infortúnio. Não é um filme realista, nesse sentido. É um filme bonito, quase imaginário, de uma forma hipotética de lidar com o infortúnio. Tem o seu valor.
Enquadrar-se-ia perfeitamente numa Festa do Cinema Francês. Nesta competição (Lisbon & Estoril Film Festival) parece um pouco deslocado. Ainda assim, Elkaim tem um bom desempenho. Há momentos em que mostra realmente o seu desespero. Já Donzelli fica um pouco aquém do que seria de esperar de uma mãe em tais circunstâncias. Há ainda cenas um pouco saloias, como as canções que cantam um ao outro. Talvez esta não tenha sido a melhor maneira de pegar num argumento, que à partida teria tudo para dar um excelente filme.
O Melhor: acaba por ser o actor Jérémie Elkaim a dar algum realismo ao filme
O Pior: o narrador
| Inês Monteiro |

