«Não tenhas medo do escuro» que nós também não. Assim se pode começar a critica a esta peça cinematográfica realizada por Troy Nixey. E não, a obra não tem apenas o dedo de Guillermo Del Toro, tem uma mão inteira.
Sally (Bailee Madison) é uma menina de nove anos que chega a uma pequena cidade do estado de Rhode Island para ir viver com o pai (Guy Pearce) e com a namorada deste (Katie Holmes). A sua chegada não é propriamente uma alegria, pois a jovem não gosta que o pai tenha uma nova companhia.
Como forma de passar o tempo num local onde não quer estar, a criança começa a explorar a casa e descobre uma cave no meio da vegetação. Dentro dessa cave está um estranho mal que solta vozes a partir de uma caldeira antiga (vozes que só a pequena consegue ouvir). Essas criaturas malignas são um perigo e após um dos empregados da casa ser violentamente atacado por elas, a criança fica completamente assustada. Claro está que ela tenta avisar o pai e a “madrasta” e claro que estes acham que tudo faz parte da sua imaginação. Pelo menos até eles próprios vivenciarem o terror, o que irá acontecer.
{xtypo_quote_left} Talvez o pequeno Guillermo Del Toro se assuste com isto, mas a sua versão adulta apenas tenta homenagear sem criar uma identidade que nos faça visitar o medo, o pavor ou simplesmente a real tensão{/xtypo_quote_left}Construído a partir de um telefilme realizado, em 1973, por John Newland, «Não tenham medo do escuro» é uma tentativa desconcertada de voltar à velha guarda do terror e mais uma vez os elementos fantasiosos de Del Toro, assim como o seu travo gótico, não deixam dúvidas da presença do seu nome nos créditos. Mas é nesse regresso ao passado do cinema de terror que surgem as maiores virtudes mas também os maiores problemas. Os «monstros» não são um vilão verdadeiramente temeroso, parecendo até bastante frágeis, minorcas e mais irritantes que assustadores. Já as vozes dão mais vontade de rir que outra coisa e fazem-nos lembrar porque se abandonou muito esse cliché do cinema de terror ao longo dos anos. No que toca a interpretações, estas são razoáveis, ainda que não haja uma verdadeira prestação de realçar. Como consequência temos um filme melhor imaginado do que concebido onde dificilmente terão medo, a não ser nos banais preparativos da tensão e do ambiente que a tenebrosa mansão evoca. Aliás, a mansão e o seu design é quase tudo neste filme. Imponente, esta casa transpira desconfiança, principalmente por sugestão visual que fomos adquirindo ao longo dos tempos com os filmes do género que vamos assistindo («The Innocents», «The Haunting», « The Changeling», «El Orfanato»).
O que resta então? Quase nada. Este é um filme que tenta evocar clássicos, clichés antigos, contos macabros do folclore local e até problemas de famílias disfuncionais e separadas. Talvez o pequeno Guillerme Del Toro se assuste com isto, mas a sua versão adulta apenas tenta homenagear sem criar uma identidade que nos faça visitar o medo, o pavor ou simplesmente a real tensão.
Dispensável.
O Melhor: A mansão é perfeita para dar um ambiente tenebroso e de tensão à obra
O Pior: História já vista e clichés que auto-explicam porque foram descontinuados no terror moderno…
| Jorge Pereira |

