Claudio e Elena (Elio Germano e Isabella Ragonese) vivem num bairro periférico de Roma. Ele trabalha na construção civil mas ambiciona no ramo algo mais. A sua relação com a mulher e os filhos é de extrema proximidade e apesar de todas as dificuldades, eles são felizes no seu mundo.
Um dia a tranquilidade familiar é abalada pela tragédia, ficando Claúdio emocionalmente destruído e ferozmente enraivecido com a vida. Desiludido e zangado, o homem decide canalizar toda a sua raiva no trabalho e na busca da paz interior e de uma condição melhor.
Realizado por Daniele Luchetti ( “O Meu Irmão é Filho Único”), «A Nossa Vida» segue uma tendência muito italiana e especialmente do seu cineasta em apoiar a sua estrutura em ferozes e sólidas relações familiares. Isso não significa particularmente que estas pessoas sejam mais humanas, mas apenas mais protectoras do seu grupo, pois como logo vemos no início, num incidente no seu trabalho, Claudio é capaz de quase tudo para ter uma vida mais tranquila e desafogada com os seus. Esta humanidade selectiva segue um pouco a crença que o próprio cineasta tem que nos tempos de hoje tudo circula em torno do dinheiro e somos capazes de nos desumanizar por ele.
{xtypo_quote_left} {/xtypo_quote_left}E assim é. Há muito que não se via uma obra humana na sua desumanidade. Destaque para a prestação de Elio Germano, premiado em Cannes como o melhor actor. A sua presença na obra é profundamente tocante, especialmente nos seus erros e egoísmos que visam apenas proteger os seus, como se vivesse numa bolha que por acaso está inserida numa maior. Mas não vivemos todos?
Uma nota final para as personagens secundárias, como o irmão de Claudio e a sua «nova» companheira. No meio de tanto foco na vida de Claudio, tudo o resto parece deixar de ter interesse e esta é uma das desvantagens de a personagem principal ter um peso tão grande no global.
O Melhor: A obra é orientada em torno da performance de Elio Germano. Ele cumpre a sua função exemplarmente
O Pior: Por vezes é mais óbvio (a preparação da tragédia) e caricatural (vizinhos, colegas de trabalho padronizados, etc) do que devia .
| Jorge Pereira |

