«Cowboys & Aliens» por Filipe Dias

(Fotos: Divulgação)
“Cowboys & Aliens”. O nome do filme diz tudo. Temos cowboys (e índios) e extra-terrestres que, como sempre, querem algo dos humanos. Se pensarmos assim, o título do filme não causa tanta impressão na pele o que permite ir assistir à obra sem ideias pré concebidas de que com este nome, só pode sair algo mau.
Até porque as coisas não são assim tão más. 
Realizado por Jon Favreau (Iron Man),  a primeira coisa que salta à vista é a “dream team” ligada ao filme com nomes como Damon Lindelof (Lost), Roberto Orci, Alex Kurtzman no argumento e Ron Howard, Brian Grazer e Steven Spielberg na produção. Com tantos ilustres, “Cowboys & Aliens” merece uma oportunidade.
A história centra-se na personagem de Daniel Craig, Jack Lonnergan, um bandido do faroeste com um feitio complicado, que acorda sozinho no meio do deserto sem qualquer memória de como lá foi parar ou como é que se chama. O que se sabe é que tem um aparelho estranho preso ao seu braço esquerdo. Enquanto procura mais informações sobre quem é na cidade de Absolution, temos o prazer de conhecer o Coronel Dolarhyde (Harrison Ford), um antigo combatente na guerra contra os índios, o seu arrogante filho Percy (Paul Dano), o dono do tasco local Doc (Sam Rockwell) e a misteriosa Ella (Olívia Wilde). Quando se começa a saber mais sobre Jack, cai o Carmo e a Trindade com a chegada dos extra-terrestres que começam a raptar pessoas, enquanto procuram um bem essencial para eles (e nós): ouro.
Esta trama central serve como fio condutor do filme, no qual os sobreviventes decidem ir procurar os seus familiares raptados enfrentando os aliens. Do ponto de vista de originalidade, não trás nada de novo. Contudo, levar aliens para a época dos cowboys é algo que não tinha sido abordado por Hollywood e aí ganham alguns pontos por saberem misturar dois géneros cinematográficos tão distintos. À parte da trama central, existem outras histórias que se interligam: como o que aconteceu a Jack, quem é Ella, e a relação pessoal entre outras personagens. Com isto, o filme ganha mais intensidade e capacidade para surpreender já que não se extingue num tema óbvio, mas pelo contrário, é capaz de levar o espectador a vários locais ao mesmo tempo sem se perder o fio à meada.
As interpretações de Daniel Craig e Harrison Ford são convincentes o suficiente para o filme que é, com menos valor para Craig que faz lembrar o James Bond de chapéu e botas a cowboy. Aí, a sua personagem fica algo limitada. Já Olívia Wilde aparenta estar claramente alienada do elenco com uma personagem algo perdida durante os primeiros 50min do filme, sem se saber bem se dali sai algo de jeito ou não.
No compito geral, “Cowboys & Aliens” é um filme bastante original no seu conceito, com um argumento relativamente bem construído e personagens interessantes. Por outro lado, as interpretações não se destacam tanto como esperaríamos, nem os efeitos especiais são por aí além. Talvez por isto tudo, seja só um blockbuster de Verão.
 
O Melhor: A originalidade e a capacidade de misturar dois géneros cinematográficos de cinema que à primeira vista, estão muito longe.
O Pior: Um Daniel Craig em versão James Bond no faroeste só tem piada durante 20min. Olivia Wilde entra no filme?
 
 
 Filipe Dias
 

Últimas