«Green Lantern» (Lanterna Verde) por Filipe Dias

(Fotos: Divulgação)
Nos últimos anos, a Marvel tem sido capaz de transportar a maior parte dos seus heróis para o grande ecrã com grande sucesso. Casos de Homem de Ferro, X-Men, Wolverine ou o recente Capitão América revelam que a Marvel tem uma mina de ouro que, bem trabalhada, consegue levar o público ao cinema. Já a DC Comics… Nem por isso. Constantemente a apostar em Batman ou no Super Homem (Terá mais um remake a sair no ano que vem!), ficaram para trás nesta corrida. 
Por isso, e também pelo sucesso da saga «The Dark Knight» levada a cabo por Christopher Nolan, muito se esperava de “Lanterna Verde”, uma criação dos autores Bill Finger e Martin Nodell. 
Ryan Reynolds (Smokin Aces, Buried, The Change-Up) é Hal Jordan, um arrogante mas competente piloto de caças que um dia recebe um anel capaz de transformar ideias em objectos e construções reais, através de pura vontade. É assim que Hal se torna num dos membros de uma força de paz intergaláctica chamada de Lanterna Verde. O seu dever é proteger as galáxias de todas as ameaças, incluindo a de Parallax, uma força amarela que sobrevive através do medo dos outros.
Juntamente com Reynolds, contracena a jovem Blake Lively (The Town) como Carol Ferris, uma antiga paixão que trabalha consigo. A actriz é um dos pontos positivos do filme, com a caracterização de uma personagem capaz de sobreviver num mundo de homens ao mesmo tempo que ilumina o ecrã com a sua beleza natural. O elenco ainda conta com Tim Robbins, Peter Sarsgaard, Angela Basset e Mark Strong, com o último a desempenhar o papel do anti-herói e rival de Reynolds, o alienígena Sinestro. Já na banda desenhada, Sinestro é caracterizado como um rival directo de Hal Jordan, igualmente arrogante mas inteligente e possuidor de uma força de vontade acima da média. Strong consegue captar esses aspectos e transmiti-los perfeitamente na sua personagem, quase que a tornando mais interessante que a personagem principal, mostrando que o actor tem um potencial interessante para este género de filmes.
{xtypo_quote_left} “Lanterna Verde” tem o problema de ser conotado como “mais” um filme de super-heróis, sem criar uma fagulha de inspiração  {/xtypo_quote_left}Com um argumento razoável, “Lanterna Verde” tem o problema de ser conotado como “mais” um filme de super-heróis, sem criar uma fagulha de inspiração ao contrário da saga «The Dark Knight» ou «X-Men». Seria possível debater que as personagens são distintas pois Batman ou Wolverine são personagens bem mais negras. Contudo, a saga dos Lanterna Verde é talvez uma das mais interessantes e negras dos últimos anos no mundo da banda desenhada, portanto é difícil de acreditar que os produtores e argumentistas não estivessem a par da constante revolução que persiste no mundo de Hal Jordan. O filme transmite apenas a luta do bem contra um mal antigo que ameaça o mundo, ao mesmo tempo que a personagem principal se debate com os seus próprios receios e se adapta aos novos poderes. Esta aposta torna-se vaga ao fim de algum tempo, que juntamente com falas prolongadas e um argumento “seco”, dá a sensação de que falta algo a “Lanterna Verde”: a luta da Vontade contra o Medo. O filme explora estes dois poderes, sem lhes dar o protagonismo necessário para levar o filme às costas. Quando pensamos que segue por esse caminho, volta ao óbvio. 
Independentemente de um argumento fraco, o filme tem aspectos positivos como os bons efeitos especiais (a caracterização do planeta Oa) com destaque para a batalha final. As personagens conseguem ser interessantes ao ponto de acharmos piada sendo que Ryan Reynolds dá um aceitável Hal Jordan, talvez com um pouco de humor a mais. 
Este é apenas mais um filme de Verão que deverá ganhar uns quantos prémios nos MTV Movie Awards. E pronto.
O Melhor: Os efeitos especiais estão à altura tendo em conta a qualidade da banda desenhada.
O Pior: É apenas mais um filme com tipos que fazem coisas espantosas. Esperava-se algo mais.
 
 
 
Filipe Dias
 

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