«Rise of the Planet of the Apes» (Planeta dos Macacos: A Origem) por Cátia Simões

(Fotos: Divulgação)
Desiludam-se os que pensam que este «Rise of the Planet of the Apes» é um remake do quarto filme de uma das mais bem sucedidas sagas de ficção científica. Ou uma sequela do filme de Tim Burton. Esta nova versão, de Rupert Wyatt, é na verdade um segundo ‘reboot’ feito à conhecida história sobre o domínio dos macacos sobre o mundo e que, supostamente, servirá de base a uma nova versão da história.
Nesta nova versão, Will Rodman (James Franco) é um cientista que, ao procurar uma cura para curar o pai (John Lightgow), que sofre de Alzheimer, através de testes em macacos, descobre um medicamento que torna estes animais mais inteligentes. O macaco César obtém uma inteligência fora do comum, que se assemelha praticamente à inteligência humana e é criado no meio de humanos, mas acaba por sofrer os abusos de estar preso e revolta-se. Nesta revolta, espalha a modificação genética noutros macacos, que era transmitida sob a forma de vírus, iniciando uma guerra entre homens e símios.
Se a saga não fosse suficiente para chamar os fãs ao cinema, o tema da manipulação genética trataria do resto. E a própria evolução de César, brilhantemente interpretado por Andy Serkis, feito por CGI através da captação do movimento, de ingénuo e doce para um líder sem pena do próximo, é das partes mais interessantes do filme. Porque é de César que se trata; Will, o suposto pai, a sua namorada, o pai de Will e o tratador sádico são secundários e dão apenas cor e forma ao que César se vai tornar. Aliás, as interpretações dos actores, excluindo de Serkis, são mornas e sem sal. O destaque vai para os macacos presentes na história, realistas e com uma evolução muito interessante; tão realistas que o antigo líder da “prisão” onde César é fechado parece mesmo ter tatuagens.
{xtypo_quote_left}  as interpretações dos actores, excluindo de Serkis, são mornas e sem sal. O destaque vai para os macacos presentes na história, realistas e com uma evolução muito interessante{/xtypo_quote_left}O destaque vai também para a imagem digital do filme e para os efeitos especiais; e a realização, que começa a um ritmo lento, vai-se adaptando ao crescimento e evolução de César, num crescendo que explode num final de cortar a respiração. Apesar de, em muitos momentos, pensarmos que a história é tudo menos realista, que os macacos não se comportam assim, que é o cúmulo o que conseguem fazer, que é impossível aquela coordenação motora… e sim, tudo isto passa pela cabeça ao longo do filme, não nos podemos esquecer que se trata de ficção científica e de lançar a primeira pedra para uma nova série de filmes de símios inteligentes que dominam a terra.
O facto do filme se passar em São Francisco, facilmente reconhecível para todos, torna a história mais real; a cena na ponte de Golden Gate, em que pela primeira vez os macacos se confrontam com os homens, é envolvente. E se neste filmes normalmente protesto contra o tempo perdido em batalhas e efeitos especiais, neste gostaria de ter visto um pouco mais.
O Melhor: Andy Serkis, que veste, literalmente, a pele de macaco César. Transmite emoções só com os movimentos.
O Pior: Há uma sensação de inverosimilhança que obriga a lembrar que é um filme de ficção científica
 
 
 Cátia Simões
 

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