Há filmes que só chegam às nossas salas quando já deviam estar a sair as sequelas. «Caçadores de Dragões», que nasceu na TV em 2004 e chegou aos cinemas em 2008, é um desses casos.
No filme seguimos Zoe, uma menina que acredita em lendas e histórias e que ambiciona, ela própria, caçar e lutar contra dragões. O reino do seu tio tem sido assolado por um vilão temeroso e brevemente o mundo pode ser literalmente incenerado por um temível dragão que destrói tudo o que apanha pela frente. Para ajudar o tio e o reino, a jovem começa a procurar por cavaleiros temerários que possa lutar e derrotar o temível dragão. É nessa busca que ela encontra Guizdo e Lian Chu, dois trapaceiros que tentam passar por cavaleiros, mas que no fundo faz o máximo de esquemas para juntar dinheiro. Mas se Lian Chu parece ter alguma moral, Guizdo é egoísta e após receber o ouro do tio da jovem, pretende fugir e não lutar contra o dragão.
Já Lian Chu é mais corajoso e quer levar a tarefa até ao fim. A partir daqui todos embarcam numa jornada onde a amizade, a responsabilidade e o heroísmo vão estar em destaque.
Tal como a maioria dos filmes de animação nos dias que correm, «Caçadores de Dragões» segue diversos clichés, sendo mesmo possível dizer que os filmes do género estão a ter uma forma cada vez mais padrão. Assim, e tal como «Shrek» tinha de ir salvar uma jovem à masmorra, aqui o herói terá de derrotar um Dragão. Só assim eles vão superar eventos passados e ter a auto-estima e o reconhecimento que merecem. E tal como o ogre, Lian Chu tem também de aturar um amigo tagarela, que a todo o custo tenta desviá-lo da sua rota. Aliás, se pensarmos bem, muitos dos heróis da animação têm sempre de aturar um amigo espalhafatoso, basta lembrar um certo mamute e uma preguiça numa célebre idade do gelo. «Shrek» e «Ice Age» não são a única fonte de inspiração da obra e «História Interminável» até me parece ser a mais presente em toda a obra.
E apesar de a técnica e os gráficos estarem bastante bem conseguidos, é na cor e nos cenários de inspiração flutuantes de mundos da banda-desenhada asiática que o filme se apresenta melhor, e mesmo não reinventando ou brilhando, «Caçadores de Dragões» consegue entreter e cativar-nos durante hora e meia.
O Melhor – Há imagens bastante belas
O Pior– Assume os clichés e nunca se afasta deles
| Jorge Pereir |

