Apesar de ser inspirado na banda-desenhada homónima, «Dylan Dog: O Guardião da Noite» tem um problema sério no que toca à sua construção. O trabalho original era muito mais surreal e imaginativo que esta obra, que mais parece indecisa entre o ser levada a sério e o ser tonta «para fazer rir».
Dylan Dog é o único investigador privado de mortos-vivos do mundo, isto depois de um acordo com as diversas partes que lhe deram quase o estatuto de árbitro de eternos conflitos.
Depois de ter deixado o mundo sobrenatural para trás, após a morte da sua mulher, Dylan é obrigado a voltar à acção para resolver um misterioso assassinato. Será com a ajuda de Marcus, o seu assistente zombie, que ele mais uma vez se vê no meio de uma batalha entre clãs de vampiros, lobisomens e zombies, pela posse de um objecto raro que permite controlar tanto o mundo mortal como o mundo sobrenatural.
Há termos que não gosto de usar no quotidiano, mas que no caso de Brandon Routh, o actor por trás de Dylan Dog, se aplicam na perfeição. Routh é um canastrão e mais uma vez demonstra as suas limitações como actor, não conseguindo dar força, graça, drama ou charme à sua personagem.
Depois há ainda que ter em conta a fraqueza do enredo e mesmo dos valores da produção. Muitas vezes o filme parece ter saído da TV por cabo, tal o tom simplório com que trata, quer as cenas de acção, como as de terror e até as de amor. Em muitos aspectos fez-me lembrar «Skyline», outra obra errante que não conseguia segurar nenhuma das pontas da sua história.
Assim, «Dylan Dog» acaba por ser um filme medíocre, quer na história, quer no elenco, quer na realização, e uma das piores adaptações da BD de sempre, provando que às vezes é melhor estar quieto nas invenções que se fazem em relação ao material original e que se não temos um grande orçamento, então temos de ser criativos e não tentar fazer cenas que exigiam outros meios
A evitar.
O Melhor: Provavelmente terá um remake
O Pior: É tudo muito fraco, previsível e chato
| Jorge Pereira |

