Aviso: Esta crítica tem bastantes spoilers importantes (A ler apenas se viu o filme)
Tudo acaba a 14 de Julho.
E de facto, deixámos o melhor para o fim.
Esta última peça do puzzle Harry Potter, que estreou a semana passada, tem batido recordes de bilheteira. Talvez porque todos queremos saber como termina. Ou como tudo começa.
Não tenham dúvidas: esta crítica vai ser apenas o vangloriar de uma geek de Harry Potter, que leu a saga vezes sem conta, sem grande amor aos filmes.
O filme começa a meio do sétimo livro; deixámos Dobbie morto no penúltimo capítulo, e um Harry confuso e abandonado por Dumbledore, sem grande fonte de informação. Ou talvez não, que nós lá no fundo sabemos que Dumbledore não faria tal coisa.
Começando pelo que mais me impressionou: os efeitos especiais. Depois de ter visto Twilight, Eclipse e New Moon apresentar CGIs patéticos (eu sei, são produção independente e não Warner) ficamos abismados com a qualidade da imagem, da veracidade dos dragões, goblins, elfos, a cena em homenagem a «Jurassic Park», onde Harry, Ron e Hermione dão cabo de Gringots, a altitude e a queda aos lagos do que presumimos ser Escócia, o rosto de Fiennes numa epifania, um finalmente! junto dos corações dos fãs. David Yates consegue, na recta final desta saga, um conjunto impressionante de imagens. Vá, sejamos justos, a destruição da Millenium Bridge no 6º episódio também fazia prever coisinhas boas.
{xtypo_quote_left}Foram minutos preciosos em que Harry finalmente, estupefacto (e nós com ele…) percebe tudo. E tudo acaba. Da melhor forma. {/xtypo_quote_left}Passando aos actores, e ao facto de terem decidido investir em Radcliffe, em vez da Watson ou Grint (o que não sei se se terá justificado). Daniel Radcliffe dá-nos finalmente a intensidade que tanto queríamos, a angústia tão ansiada, sem trejeitos de adolescente que vê cinema de Hollywood em demasia. Temos vontade de gritar, Aleluia! em pleno El Corte Inglés, o que não dá muito jeito. O resto do elenco é nada mais nada menos que a comunidade britânica inteira de actores de renome, que nos oferecem apenas mais uma (…coisa simples) brilhante performance, no que quer que façam. (A minha aposta para o futuro ainda recai em Grint, ‘nonetheless‘). Menção honrosa para Fiennes e Helena Bonhem Carter, como sempre, sem falhas.
A banda sonora melhorou a olhos vistos (ou a ouvidos ouvidos…) e ficamos com vontade de ir a correr ouvir com mais detalhe aquela parte da batalha final, que nos relembra (não sei porquê) ‘The Thin Red Line’. O filme tem alguns problemas de fluidez, nomeadamente na passagem para Hogwarts, em que Harry sai do meio das trincheiras de alunos, alinhados pelo seu Director, numa cena que não tem ponta de sentido. Mas nós perdoamos, que ele está tão bem e tão intenso que ficamos colados ao ecrã e com a frase geek “….mas isto no livro não…” esquecida a meio. De resto, é aproveitar as cenas de acção, bem conseguidas e que retratam bem o restabelecer do equilíbrio entre as forças do Bem e do Mal, conforme Harry vai conseguindo eliminar os Horcruxes.
Mas o melhor… o melhor mesmo foi ver Yates fazer aquilo que Rowlling não fez, que se esqueceu ou que o cansaço, toldando-lhe a objectividade, não lhe permitiu: a devida, ansiada, exigida homenagem a Severus Snape, a personagem mais densa, mais interessante, com mais camadas psicológicas, uma autêntica cebola que foi interpretada na perfeição pelo grande Alan Rickman. Foram minutos preciosos em que Harry finalmente, estúpido (e nós com ele…) percebe tudo. E tudo acaba. Da melhor forma.
O Melhor: Mas o melhor… o melhor mesmo foi ver Yates fazer aquilo que Rowlling não fez, que se esqueceu ou que o cansaço, toldando-lhe a objectividade, não lhe permitiu: a devida, ansiada, exigida homenagem a Severus Snape.
O Pior: Não vale a pena repetir-me…os livros são infinitamente melhores.
| Laura Moreira |

