«Super 8» por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)
 

Para alguns é uma troca de olhares entre amantes que nunca se vão voltar a ver. Para outros, um grupo de miúdos a formar silhuetas na lua nas suas bicicletas voadoras. Seja a sua manifestação emocional ou sobrenatural, damos por nós a revisitar o escuro das salas de cinema em busca daquele momento que nos muda a vida e nos faz sentir verdadeiramente transportados para um mundo novo em que tudo são possibilidades novas. É muito raro encontrar filmes assim. “Super 8” é pura magia do cinema.
 
Escrito e realizado por JJ Abrams (“Lost”, “Star Trek”), este é um filme abertamente criado para impressionar o seu mentor, Steven Spielberg, que desempenhou aqui as funções de produtor. Mas não se pense aqui que estamos meramente perante uma colagem de memórias nostálgicas do que sentimos e vimos em obras-primas como “Encontros Imediatos do 3º Grau” ou “E.T.” Não, a principal coisa que Abrams “rouba” a Spielberg é a sua grande lição cinematográfica: não há imagem espectacular capaz de fascinar verdadeiramente o nosso cérebro se o nosso coração não estiver envolvido.
 
O coração deste filme são as crianças, um grupo de rapazes de 1979, com idades à volta dos 12 anos, que se junta no Verão numa pequena localidade no Ohio para filmar um filme de zombies numa câmara Super 8. O protagonista, Joe Lamb (Joel Courtney), é o maquilhador oficial do filme realizado pelo seu melhor amigo Charles Kaznyk (Riley Griffiths), que recruta mais três amigos na sua grande produção. A vida de Joe é passada em estado de melancolia crónica pela memória recente da morte da sua mãe e a relação distante que tem com o pai (Kyle Chandler), mas cedo no filme esta acaba por sofrer dois grandes abalos.
 
{xtypo_quote_left}É muito raro encontrar filmes assim. “Super 8” é pura magia do cinema. {/xtypo_quote_left}Primeiro, quando Charles “recruta” Alice Dainard para desempenhar o papel da mulher do herói do filme de zombies. Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning, tem aqui o papel mais impressionante da sua ainda curta carreira. Só a cena em que Alice lê pela primeira vez as suas deixas no filme, para embasbacamento colectivo de todos os rapazes à sua volta, deveria ser suficiente para lhe merecer, no mínimo, uma nomeação para os Óscares.
 
O segundo abalo envolve um comboio a descarrilar, perigos misteriosos que se escondem no escuro e a presença opressiva das forças militares norte-americanas, focadas em pouco mais que esconder os seus próprios segredos. Dizer mais seria estragar as muitas surpresas que o filme nos reserva. Porque esta é uma grande aventura. Um filme que nos lembra de como uma explosão ganha todo um outro impacto quando temos uma preocupação genuína pela sobrevivência dos protagonistas. Quando nos investimos de alma e coração nos seus sonhos.
 
Sempre quis ser Richard Dreyfuss a entrar na nave na cena final de “Encontros Imediatos do 3º Grau”. Sempre quis imaginar que a minha vida podia, um dia, ser tão livre e cheia de mundos novos para descobrir. “Super  8” teve o descaramento de me fazer voltar a sonhar.
 
Pedro Quedas 
 

Últimas