«The Way Back» (Rumo à Liberdade) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Inspirado no romance de Slavomir Rawicz, «The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom», «Rumo à Liberdade» segue a história de um grupo de prisioneiros (de diversas nacionalidades ) e  a forma como eles escaparam de uma prisão da Sibéria e viajaram mais de 6500 quilómetros, rumo à Índia lhe entregava.
Os factos remontam aos tempos da 2ª Grande Guerra Mundial e mostram a forma como o grupo sobreviveu ao frio da Sibéria, ao calor das áreas áridas da Mongólia, à chegada à China e de novo ao gelo e o frio dos Himalaias, via Tibete. Pelo caminho, os condenados em fuga ainda dão de caras com uma jovem polaca, que se junta a eles após um primeiro momento de crispação. Lobos, mosquitos, ausência de alimentos, ferimentos, insolações, sede e muitos mais problemas vão sistematicamente colocar cada um dos foragidos em perigo, sendo curioso o facto de por muitas poucas vezes entrarmos na história das suas vidas, nas suas histórias antes da detenção.
{xtypo_quote_left} Peter Weir acaba por fazer algo mais documental que emocional e algo mais clássico que arrojado {/xtypo_quote_left}Aliás, se há critica que se pode colocar facilmente esta obra de Peter Weir é a ausência de verdadeiras emoções num filme que só pela história é verdadeiramente dramático. Talvez o problema resida nisso mesmo e com o medo de tornar toda a história num melodrama, Peter Weir acaba por fazer algo mais documental que emocional e algo mais clássico que arrojado.  Ora para quem já criou obras verdadeiramente inspiradoras e tocantes como «Truman Show» e «Clube dos Poetas Mortos», acaba por ser um pouco decepcionante a ausência daquela chama, daquele brilho único que o cineasta consegue criar. Já no que toca aos actores, eles estão bem e funcionam como um todo, não havendo ninguém que se destaque.
Assim, falta acima de tudo algo que nos prenda emocionalmente, ainda que constantemente tenhamos a noção que estes factos podem ser baseados em factos reais (e sentimos pelo «real» que há neles). E apesar de haver alguma polémica na veracidade da história, já por diversas vezes atacada, a verdade é que «Rumo à Liberdade» consegue mostrar um pouco mais sobre o Estalinismo e sobre as dificuldades em sobreviver num regime soviético em expansão. Pena é não ir mais fundo na questão do regresso ao estado primitivo do homem.
De qualquer maneira, merece uma olhadela…
O Melhor: O facto de os eventos poderem ser reais é profundamente inspirador
O Pior: É demasiado documental e pouco arrojado, talvez pelo medo de cair no sentimentalismo barato.
 
 
 Jorge Pereira
 

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