“Transformers: Dark Side of the Moon”, o terceiro dos míticos desenhos animados da década de 80, podem ser uma desilusão séria para os fãs dos extraterrestres robóticos que se transformam em carros.
Desta vez, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) terminou há três meses a faculdade mas não consegue arranjar emprego, apesar de ter salvo o mundo duas vezes e de ter recebido uma medalha do presidente dos Estados Unidos. Sam vive com a nova namorada, Carly (Rosie Huntington-Whiteley) e sente-se frustrado por não conseguir vencer na vida. Carly, por seu turno, trabalha para o multimilionário Dylan Gould (Patrick Dempsey), que está atraído por ela.
A rotina de Sam é abalada novamente quando os Deceptions voltam a aparecer para tentar dominar o mundo. Em causa está a descoberta de uma nave espacial no lado negro da Lua, que levou os Estados Unidos e a União Soviética a iniciarem a corrida ao espaço na década de 60. Um incidente nas antigas instalações nucleares de Chernobyl leva a que os Autobots percebam que os Deceptions voltaram ao ataque, iniciando-se a partir daí uma nova corrida contra o tempo para salvar a humanidade.
A premissa do filme não traz nada de novo e, embora algumas personagens tenham uma boa interpretação (é o caso de John Malkovich como chefe de Sam ou de Frances McDormand como responsável da CIA), as personagens principais não trazem nada de novo. Shia LaBeouf está igual a si mesmo, oscilando de momentos de simplicidade para rasgos de raiva e birras de um jovem frustrado, mas sem ser muito convincente. E Rosie Hutington-Whiteley poderá ser um bom alvo para as criticas dos fãs de Megan Fox (antigo interesse amoroso de Sam nos dois primeiros filmes), brindando os espectadores com uma interpretação morna. E os supostos momentos divertidos não conseguem arrancar as esperadas gargalhadas do público.
O argumento é suficiente para conseguir um bom filme pipoca, baseado em bons efeitos especiais, mas não surpreende e há momentos em que os saltos na acção são tão rápidos que chegam a perder coerência. Seria, por isso, de esperar que o filme tivesse um ritmo rápido, recheado de cenas de acção e explosões, mas isso não acontece. Muito longa, a fita demora bastante a desenvolver, quer para chegar à parte da batalha final quer a própria batalha. Longo de tal forma que se torna aborrecido, não obstante o fascínio que Optimus Prime e Bumblebee exercem sobre os fãs de Transformers.
{xtypo_quote_left}Apesar dos bons efeitos especiais, a componente mais esperada do filme, o 3D, não surpreende {/xtypo_quote_left}Apesar dos bons efeitos especiais, a componente mais esperada do filme, o 3D, não surpreende. Há três ou quatro cenas em que estes efeitos são de facto interessantes mas no resto do filme há uma certa ambiguidade entre o 3D e o 2D. Contudo, nos momentos em que a aposta no 3D é clara, esta tecnologia de facto resulta.
E o realizador Michael Bay, que já disse que não voltaria a fazer um novo filme de Transformers nem a trabalhar com Shea LaBeouf (o seu protegido até aqui), por considerar que está a ficar rabugento com a idade, brinda-nos com momentos quer de grande rapidez quer de muita lentidão em determinados momentos. Ou seja, a falta de coerência no ritmo do filme é a palavra de ordem. E há questões de pormenor divertidas: Carley é praticamente raptada mas durante este rapto aparece com duas roupas diferentes; é arrastada, desliza em prédios a ruir e anda no meio de explosões mas a roupa, sempre branca, não se suja; e nos momentos em que tem de correr os sapatos de salto agulha são substituídos por sabrinas, que não se sabe bem de onde apareceram.
Já Sam tem um momento brilhante, em que está pendurado num Deception pelo braço, a rodopiar durante vários momentos, mas não desloca o ombro nem se magoa ao bater contra as paredes do prédio…
Em suma, um bom filme pipoca se se quiser uma fita sem grande história, baseada na mítica das personagens Transformers e com algumas cenas de acção interessantes.
O Melhor: algumas cenas de acção e a transformação dos Transformers estão muito bem feitas.
O Pior: o filme é demasiado longo e tudo demora muito tempo a acontecer.
| Cátia Simões |

