Estreado em Sundance, corria o ano de 2009, «Beastly» é uma espécie de «A Bela e o Monstro» para a audiência MTV. E apesar de ser um filme independente, é aquilo que chamaria um «falso indie», tal a forma comercial como é construído, e pega em actores que fazem as delicias dos adolescentes.
Kyle (Alex Pettyfer) é um jovem de 17 anos incrivelmente superficial e bastante popular no liceu. A aparência para ele é tudo e quem não é belo é simplesmente desinteressante. Envolvido numa picardia com Kendra (Mary-Kate Olsen), uma bruxa disfarçada de estudante, Kyle vê-se vítima de uma maldição que o vai deixar tão feio por fora como é por dentro. E essa maldição só será quebrada quando alguém lhe disser que o ama. Essa pessoa poderá ser Lindy (Vanessa Hudgens), uma colega discreta a quem Kyle nunca tinha dado atenção, mas que se pode revelar como a sua última hipótese de provar que só o amor o pode salvar…
{xtypo_quote_left} Apesar de ser um filme independente, é aquilo que chamaria um «falso indie», tal a forma comercial como é construído {/xtypo_quote_left}«Beastly» é na generalidade um desastre e quando o melhor do filme é a personagem de Mary-Kate Olsen, então entendemos melhor a dimensão do sinistro. Sim, porque «O Feitiço do Amor» tem mesmo momentos calamitosos, especialmente quando embarca em sub-enredos que colocam o pai de Lindy com problemas com traficantes e drogas.
Acima de tudo este é um filme muito irreal (ou surreal), ainda que a sua génese seja a nítida fábula urbana onde o mau afinal é bom e só precisa do amor para provar isso. O problema é que tudo isso é tratado de forma telenovelesca, sempre com o tal look e ambiente MTV, onde até o conceito de feio se resume a um rosto tatuado e a ligeiras deformações. Assim, e de forma estilizada visualmente, e emocionalmente simplório, o filme apresenta aquela busca pelo amor eterno e verdadeiro, um pouco como a própria saga Twilight o faz, mas com mais engenho.
Como um mal nunca vem só, as personagens secundárias são muito pouco trabalhadas, servindo apenas para preencher algumas linhas de texto muito pouco conseguidas e sem grande chama.
Como tal, «Beastly» acaba por ser um filme banal, simplório e tão pobremente escrito, interpretado e executado que só um feitiço o transformaria num filme verdadeiramente interessante.
O Melhor: Mary-Kate Olsen. Sim, a sério…
O Pior: Todo o sub-enredo em torno do pai de Lindy. É uma novela mexicana…
| Jorge Pereira |

