«Kung Fu Panda 2» (O Panda do Kung Fu 2) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
«Kung Fu Panda» está de volta e agora, como seria de esperar, em 3D. Depois dos eventos ocorridos no primeiro filme, Po vive agora o seu sonho como Guerreiro Dragão, protegendo o Vale da Paz ao lado dos seus amigos e companheiros mestres do Kung Fu, Os Cinco Sensacionais – Tigresa, Grou, Louva, Víbora e Macaco. 
Mas essa paz é ameaçada quando um temível vilão planeia usar uma arma secreta e imparável arma conquistar e dominar a China e, naturalmente, destruir o Kung Fu. 
Caberá mais uma vez a  Po e  aos  Cinco Sensacionais iniciar uma cruzada pela China, enfrentar esta ameaça e eliminá-la. Mas como poderá Po derrotar uma arma que pode destruir o Kung Fu? Terá de olhar para o seu passado, descobrir os segredos das suas misteriosas origens e encontrar a paz interior. Só então será capaz de libertar o poder de que necessita para vencer!
{xtypo_quote_left} «Kung Fu Panda 2» demonstra também que por haver mais cenas de acção um filme não é menos entediante {/xtypo_quote_left}O fenómeno «Kung Fu Panda» passa-me completamente ao lado e nem pensando que o seu alvo principal são as crianças me faz amainar o meu discurso critico para mais uma obra da DreamWorks Animations que deixa muito a desejar. Educativamente, e no toca à religião e folclore chinês, esta obra distorce diversos conceitos de maneira puramente capitalista, em nome do espectáculo em vez da verdade/conhecimento. Já em termos de humor,  a fita revela-se   demasiado infantil, sendo mais vezes a personagem de Po alguém mais irritante do que engraçado, ou castiço. Depois há a tal moralidade, a honra, os amigos, a ligação à família e aquelas balelas tipificadas que desde sempre a Disney e todos os estúdios atrelados nos tentaram ensinar.
Porém, e por mais que queira, a Dreamworks não consegue nunca ser tão emocional como a Disney, ou avançada como a Pixar. E digo isto em termos tecnológicos mas também na construção dos argumentos, nas personagens, que apesar de serem mais disfuncionais que o normal na animação tradicional, nunca têm a força necessária para se tornarem memoráveis. «Shrek» talvez seja a excepção, mas entretanto as sequelas já rebaixaram a saga no seu todo em termos de qualidade.
Focando particularmente este «Panda», há diversos elementos superficiais a considerar. Um dos temas do filme é a adopção, pois Po tem de descobrir os verdadeiros pais. (Apercebe-se que afinal não é filho biológico de um ganso (!!)). Como Hollywood, hoje em dia, raramente faz filmes sobre humanos, e não tem coragem de colocar pessoas de várias raças e sexos unidas numa relação, usam-se sempre os animais para mostrar que o que interessa é a amizade, o amor e não a cor ou outras diferenças. Há 20 anos atrás, estas obras eram capazes de ser arrojadas, mas hoje são meramente cobardes, jogando pelo seguro e com apenas em mente o aspecto comercial.
 
De resto, «Kung Fu Panda 2» demonstra também que por haver mais cenas de acção um filme não é menos entediante. E em diversos momentos eu senti isso. Mais do que fraco, achei o filme «secante» e nem o tom adorável, ou fofinho de «Po» o salva. Pelo menos não à segunda vez.
O Melhor: É um filme tecnicamente superior e com detalhes primorosos
O Pior: A história e a emoção do filme é muito fraca. A lição de moral está gasta…
 
 Jorge Pereira

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