Parte folclore, parte história verídica, «A Lenda de Felix Bush» segue a história de um velho eremita (Robert Duvall) sem especial consideração por ninguém na cidade, nem por quem o queira conhecer melhor. Mas, certo dia, ao aperceber-se das histórias loucas que contam sobre si, decide estar na altura de as trazer a público. Assim, recruta Frank (Bill Murray), dono da agência funerária local, para que organize o seu funeral e, dessa forma, poder ouvir o que todos dizem sobre si e trazer a verdade do seu passado à luz do dia. Mas será que alguém vai comparecer, já que metade da cidade parece ter medo de si, e a outra metade odeia-o? E conseguirá ele revelar o seu terrível segredo que o levou à reclusão por mais de 40 anos?
Todas estas questões são importantes, mas não fulcrais num filme que é acima de tudo um estudo de uma personagem, que muitos certamente compararão à executada por Clint Eastwood em «Gran Torino». Felix é um homem amargo que esconde o passado dos outros e de si próprio. E esconde de tal maneira que se torna motivo de conversas alheias e invenções/exageros sistemáticos, típicos de pequenas localidades quando abordam algo desconhecido ou pouco comum.
{xtypo_quote_left}entre a tensão e o humor e com actores em grande forma, «A Lenda de Felix Bush» é assim uma obra consistente, importante e talvez um dos mais interessantes trabalhos de 2010 {/xtypo_quote_left}E o maior trunfo do filme é mesmo Robert Duvall, injustamente afastado da última corrida aos Óscares. Duvall, um veterano, condensa em sim um tom dúbio, misterioso e ao mesmo tempo charmoso que nos convida a querer conhecer mais e mais sobre a sua vida.
Paralelamente, temos também Bill Murray que, mais uma vez, com os seus jeitos e maneiras nos faz descomprimir e rir com a bizarra história.
Com uma realização entre a tensão e o humor e com actores em grande forma, «A Lenda de Felix Bush» é assim uma obra consistente, importante e talvez um dos mais interessantes trabalhos de 2010, ainda que o seu final tenha menos impacto que o desejável.
O Melhor – Duvall e Murray
O Pior: O impacto final não é o desejável
| Jorge Pereira |

