«The Beaver» (O Castor) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
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Divertido, desequilibrado, humano (desequilibradamente humano). São as primeiras palavras que surgem após o visionamento deste “O Castor”, primeiro filme da actriz Jodie Foster em 16 anos, que assim volta (e bem) às lides da realização, aproveitando também para nos brindar com mais um bom papel. 
A história à superfície não surpreende: relações disfuncionais familiares, entre pai e filho, marido e mulher, ou dois adolescentes à procura de se descobrirem. O “twist” está num fantoche – um castor –  como objecto terapêutico. Expliquemos melhor: Walter Black (um certeiríssimo Mel Gibson naquela que pode bem ser a performance da sua carreira), um executivo em profunda depressão, decide em último recurso, e após uma tentativa falhada de suicídio, adoptar um fantoche-castor como novo “alter ego” (qual Pato Donaltim!), passando a responder sempre em nome do tal “Castor”.
 
{xtypo_quote_left}torna-se difícil escapar a um charme de uma película que se apresenta de uma forma tão… nua perante nós.   {/xtypo_quote_left}Uma técnica de “terapia” minimamente original, e aparentemente popular na Suécia, diz-nos o protagonista, tentando convencer a sua mulher de que esta terapia fora acordada com o seu médico… Nem se pode chamar de ventriloquismo, uma vez que Walter não faz sequer qualquer esforço para não abrir a boca. Não se trata de uma outra entidade, afinal de contas – o fantoche simplesmente tomou o lugar de Walter. Escusado será dizer que esta situação é origem de todas as gargalhadas aqui geradas. 
Tirando o castor, podemos dizer que não há aqui reinvenção da roda. E ainda assim, “O Castor”  torna-se genuíno. E único. Se é ultimamente “desarrumado” como o(s) seu(s) protagonista(s) e a vida em geral, alternando muito bruscamente entre gargalhadas e momentos sérios, e não parece ter um tom muito bem formado, também é verdade, tal como nas outras duas películas “imperfeitas” de Foster (a saber: “Fim-de-Semana em Família” e “Mentes que Brilham”), que há aqui um sentido de humanidade irresistível, nas personagens, em diálogos, em gestos. Sendo assim, torna-se difícil escapar a um charme de uma película que se apresenta de uma forma tão… nua perante nós.  
O Melhor: O sentido de humanidade sempre presente, cada vez uma “marca de autor” nos filmes de Jodie Foster. E Mel Gibson, claro. 
O Pior: Não ser tão perfeito como desejaríamos que o fosse. Mas a vida também não o é. 
 
 
André Gonçalves

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