O nome Carancho remete-nos para uma ave, da família dos falcões, conhecida por ser oportunista, e alimentar-se de insectos, anfíbios, roedores e quaisquer outras presas fáceis. Neste filme do consagrado Pablo Trapero, uma presença fiel em certames como o IndieLisboa, seguimos Sosa (Ricardo Darin), um advogado especialista em acidentes viários e em indemnizações com companhias de seguro.
Como pano de fundo temos uma Argentina com 8000 mortos anualmente devido a acidentes de viação. 120 mil é o número de feridos. Não é assim de estranhar que o negócio das seguradoras seja um ponto vital da economia local.
É nessas andanças que o advogado sem licença Sosa vai conhecer Lujan (Martina Gusman), uma paramédica com quem se vai envolver e viver as complicações do amor, da sua profissão e dos esquemas que elabora, numa viagem tenebrosa a uma sociedade que já não sabe que valores deve seguir e onde essa corrupção moral infecta todos, mesmo as pessoas que à partida se mostravam decentes e altruístas.
E se Sosa é um homem que parece agir mal, como um Carancho, ainda que procurando fazer apenas o bem (que é sempre muito subjectivo), a verdade é que parece cada vez mais se afundar no lodo que o lado negro da sua profissão emana.
Por outro lado, a personagem de Lujan não é tão altruísta como também nos leva inicialmente a crer. Assim, assistimos a um thriller de uma relação condenada à partida e imersa numa podridão moral difícil de digerir…
Realce para mais uma prestação acima da média de Ricardo Darin, provavelmente o actor sul americano mais conhecido em Portugal (“O Filho da Noiva”, “Nove Rainhas”, “O Segredo dos Seus Olhos”)…
O Melhor: A inversão de valores do duo
O Pior: O filme nunca explode nem se adianta mais em arrojo
| Jorge Pereira |

