“Elegy” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

“Elegia” é um filme irónico, bastante irónico mesmo, de tal forma que basta afirmar que foi precisamente uma mulher – a catalã Isabel Coixet – a capturar na perfeição a agonia de um homem apaixonado por uma mulher bem mais nova, e que é confrontado com a sua mortalidade e o envelhecer.

Há um cineaste que, nos últimos anos, tem dedicado grande parte da sua obra à temática do envelhecimento e da noção de mortalidade: falo naturalmente de Clint Eastwood, que quer em “Maddison County” quer em “Space Cowboys” ou “Gran Torino” abordou o tema numa perspectiva pessoal.

Isabel Coixet pegou agora em “The Dying Animal”, de Philip Roth, deu-lhe o seu tom calmo, repleto de “arte” por todos os cantos, construindo um filme adulto para gente adulta. E como alguém diz, e muito bem, no filme, usando como base o livro “War and Peace”, também para nós esta obra terá um significado e produzirá sensações diferentes dentro de 10 anos.

Em “Elegia” seguimos David Kepesh (Ben Kingsley), um professor universitário que gosta bastante das suas alunas mas que acaba sempre por nunca permitir a sua proximidade.

Porém, há sempre uma excepção à regra – mesmo que ele tente à primeira negar. Essa excepção dá pelo nome de Consuela Castillo (Penélope Cruz), uma aluna de origens cubanas que entra na sua vida e que o cativa. A ela, ele não é capaz de travar e quando dá por si o seu envolvimento com ela já está num estágio emocional bastante evoluído.

Isto até virem as dúvidas clássicas de um homem mais velho. “Inevitavelmente ela vai um dia desinteressar-se, pois a diferença de 30 anos de idade é muito grande”.

O ciúme e a total falta de confiança acabam por destruir a sua relação, que não só o deixa abalado como ainda enfatizam mais os outros problemas da sua vida – a doença de um amigo e a sua relação com o seu filho.

Com interpretações fortes do núcleo central de actores, que desde cedo nos cativam a atenção com as suas conversas repletas de significado, “Elegia” é um filme que explora os medos humanos e é uma lição de vida e de morte…

O Melhor: Os actores
O Pior:
A invariavel queda em clichés. Não havia volta a dar.

A Base
“Isabel Coixet pegou agora em The Dying Animal” de Philip Roth deu-lhe o seu tom calmo, repleto de “arte” por todos os cantos, construindo um filme adulto para gente adulta… 7/10
 
Jorge Pereira

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