
Se juntarmos a isto o facto de a maioria do elenco de “Soul Men” ser composto por afro-americanos e de este ser um filme que evoca a velhice e a angústia por não se ter conseguido manter a fama quando se podia, então “Soul Men” acaba por ser uma espécie de ovni em Portugal a estrear numa sala de cinema. Mas longe de mim criticar essa opção, bem pelo contrário.
E nem o digo por estarmos perante uma obra brilhante, mas de um elenco assombroso que tem uma tal química que seria quase criminoso não vangloriar a sua prestação.
Louis Hinds (Samuel L. Jackson) e Floyd Henderson (Bernie Mac) são dois músicos caídos em desgraça nos dias que correm, depois de nos anos 70 terem sido elementos de um trio musical que só se desfez porque Marcus Hooks (John Legend) decidiu embarcar numa carreira a solo.
Os dois ainda tentaram prosseguir a carreira, mas o disco que lançaram não vendeu quase nada e eles perderam o comboio do sucesso como acontece com milhares de músicos – quantas pessoas vocês conhecem que tiveram uma música famosa e depois desapareceram?.
Se Floyd ainda escapou ao crime através de negócios legítimos, Louis embarcou em crimes que o levaram à prisão e a uma vida completamente deslocada da ribalta.
Vários anos depois, e com estes dois em vidas completamente diferentes das que tinham na sua juventude, os dois decidem reunir-se para homenagear Marcus que entretanto morreu.
A partir daqui partimos numa road trip em que os dois amigos se redescobrem e relembram os velhos tempos, confrontando algumas situações das quais fugiram no passado.
Convenhamos que para um filme sobre uma banda soul há muito pouca música nele. O filme não se preocupa tanto com isso e dá mais valor a cada uma das duas personagens centrais fazendo uma espécie de update das suas vidas até hoje.
E há momentos muito interessantes, se bem que na globalidade não estamos a assistir a nada único ou minimamente original. O que vale é que os dois actores que dão a cara nesta obra são brilhantes naquilo que fazem. E custa mais sentir isso quando vemos Bernie Mac no ecrã. Este actor, que durante a sua carreira se distinguiu na comédia, consegue entre risos ter algumas preciosidades na interpretação dramática, dando a entender que poderia ter ido muito mais além como actor, do que o que atingiu.
Já Samuel L. Jackson está igual a si próprio. Irreverente, o actor dá uma dinâmica especial a qualquer obra, quer persiga cobras em aviões, quer seja um assassino que viu deus desviar as balas de si, quer a cantar e dançar neste “Soul Man”.
É nestes dois que o filme se apoia e são estes dois que desde o primeiro momento nos cativam. E só por eles, este é um filme que merece ser visto.
O Melhor – As cenas de sexo que envolvem Bernie Mac. Hilariantes.
O Pior – A fuga da prisão cabia melhor em “Harold and Kumar go to Guantanamo” do que numa obra como esta.
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| “ há momentos muito interessantes, se bem que na globalidade não estamos a assistir a nada único ou minimamente original. É nestes dois ( Samuel L Jackson e Bernie Mac) que o filme se apoia e são estes dois que desde o primeiro momento nos cativam. Só por eles, este é um filme que merece ser visto. “…. 4/10 |

