“Inkheart” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

 

Baseado no primeiro livro de uma trilogia de Cornelia Funke, “Inkheart” é uma fantasiosa história sobre uma jovem que descobre que o pai (Brendan Fraser) tem o poder de trazer para a realidade qualquer personagem ou elemento que existe nos livros.

Os dois partem então numa aventura que envolve muitas das personagens de livros famosos, onde não faltam criaturas fantásticas (macacos que voam, minotauros, etc), um vilão demoníaco (Andy Serkis), os seus soldados, e até Toto de “O feiticeiro de Oz”. O objectivo central de pai e filha é recuperar a mãe/esposa, supostamente perdida num livro, pois quando uma personagem de uma obra  entra na nossa realidade, outra tem que sair.

O princípio deste “Inkheart”, e a própria mensagem do fabuloso mundo que encontramos na literatura, é muito curioso e de forma minimalista pode ser descrito como algo bem criativo. No cinema já tivemos algumas obras em que as personagens dos filmes saltaram para a realidade. Basta lembrar “Rosa Púrpura do Cairo” ou “Last Action Hero” para sabermos que as possibilidades criativas em termos da narrativa são enormes. O problema é que há que juntar bem todas as peças e criar uma obra coerente e minimamente apaixonante.

E de certa forma este “Inkheart” até o consegue ser, ainda que só por raras vezes nos consiga realmente agarrar. E quando o faz, nem deve muito esse sucesso à história, ou à forma que é contada ou realizada, mas fundamentalmente pela interpretação dos seus actores que nos conseguem envolver e fazer esquecer que tudo em seu torno não é assim tão fascinante.

Nesse aspecto, o destaque vai todo para Helen Mirren e Paul Bettany, dois actores que constantemente dão o seu melhor e vão aos limites das suas capacidades – que são enormes. Já Fraser, eu nem digo que não se esforce, mas creio que no cinema de fantasia/acção, já deu o que tinha a dar. Os seus papéis recorrentes, trouxeram enormes dissabores na última “Múmia”, não estando esta sua prestação longe da banalidade. Quem também não fugiu do campo da mediocridade foi Andy Serkis, o vilão de serviço. A sua personagem é tão estereotipada e pobre que em momento nenhum sentimos medo, raiva ou ódio das suas acções. Acaba por ser mais patético, que visceral ou demoníaco. O modo “one expression face” como Serkis o trata também não ajuda.

Por todas essas razões, este “Inkheart” acaba por ser mais uma bela obra de intenções e potencialidades, que um filme que nos realmente cative e se mantenha no nosso imaginário muito tempo.

Acredito que poderia ter sido muito melhor explorado – e até interpretado – mas que no fundo este  é um banal filme de matiné que se vê, mas não convence…

O Melhor – Mirren e Bettany
O Pior – Brendan Fraser e o sua forma de actuar em piloto automático

 

A Base
“Inkheart” acaba por ser mais uma bela obra de intenções e potencialidades, que um filme que nos realmente cative e se mantenha no nosso imaginário muito tempo.”…. 4/10
 
Jorge Pereira

 

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