Estreado na quinzena dos realizadores do Festival de Cannes, Sono repega na sua tendência mais recente e recria mais um crime bizarro ocorrido entre repressões e vidas duplas. Entre ruas, becos, vielas e prédios abandonados, com laivos de «pink cinema» e com uma trama de sexo, mentiras e crimes, este filme segue Izumi (Megumi Kagurazaka), uma mulher casada com um escritor famoso cujo maior contacto que tem com ela está na forma como posiciona os seus chinelos. Desejosa de ter uma vida diferente que a complete, Izumi vai-se envolver num estranho enredo onde se torna estrela de filmes pornográficos e mais tarde uma prostituta que vai encontrar numa professora universitária a mentora que necessitava.
Conhecemos assim Mitsuko (Makoto Togashi), uma professora de literatura que também leva uma vida dupla e é prostituta de rua à noite. E não interessa se os clientes pagam muito ou pouco, pois desde que paguem fica clara a sua noção de poder perante os homens.
Falta ainda falar de uma terceira personagem, Kazuko (Miki Mizuno), uma detetive, a menos explorada neste estudo comportamental de como três mulheres lidam com as suas repressões e fantasias, enquanto paralelamente investigamos um crime que, como normalmente nas obras de Sono, é sangrento, brutal e bárbaro.
Sempre provocador e excêntrico na abordagem que faz aos seus filmes, o poeta, novelista e realizador cria assim mais uma fábula suja e sangrenta, desenhada numa investigação criminal, mas que visita os demónios interiores das suas personagens, numa tendência que já vem de outros trabalhos como «Love Exposure» e «Cold Fish» e que finalmente encerra (?) a apelidada trilogia do ódio.
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Próxima exibição no Fantasporto
DIA 1 | 21:15H // GRD. AUDITÓRIO
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| Jorge Pereira |

