Rodrigo Perdigão e Joana Verona
A 18 de Fevereiro de 2012, João Salaviza entrou no restrito grupo de cineastas que já ganharam os grandes prémios dos dois maiores festivais de cinema da Europa. Depois de com «Arena» ter ganho a Palma de Ouro de Cannes (em 2009) para melhor curta-metragem, venceu agora em o Urso de Ouro da Berlinale, novamente para melhor curta-metragem.
O realizador considera «Rafa» a terceira parte de uma trilogia iniciada com «Arena» e continuada por «Cerro Negro», de 2011. Devo começar por confessar que não vi a segunda destas três curtas, mas no que toca a «Rafa» e «Arena» não posso deixar de concordar que existem pontos em comum. Apesar de não terem uma história em comum e não se encontrarem na mesma realidade geográfica, sem dúvida que Rafa poderia ser um vizinho do protagonista de «Arena», tal como este poderia ser o desconhecido pai do sobrinho de «Rafa».
Interpretado por Rodrigo Perdigão (um não-actor, cuja escolha é tão acertada que nem deve ter tido de representar), Rafa é um miúdo de 13 anos que vive na Margem Sul com a mãe, a irmã (Joana de Verona, que tinha visto antes em «Como desenhar um círculo perfeito») e o sobrinho. Um dia a mãe é detida por conduzir sem carta e Rafa põe-se a caminho da esquadra para a trazer de volta a casa.
Joana Verona
Sendo eu nativo de Lisboa é natural que consiga aprofundar-me mais sobre o filme do que se este tivesse outra origem qualquer. O que mais me agradou em «Rafa» é precisamente o oposto do que me fez dizer mal de «Tabu» ou de tantos outros filmes portugueses: nesta curta os personagens falam como portugueses normais (em. vez. de. falar. assim.), comportam-se como portugueses normais e reagem como portugueses normais. Ao contrário do típico realizador português, que parece viver numa redoma de vidro em que só os intelectuais podem entrar, nota-se que João Salaviza vive no mesmo país que eu conheço e de que tanto gosto. Ao mostrar as nossas falhas mostra também o nosso charme.
Dito isto, tenho de fazer uma menção à forma como «Rafa» acaba. É um final abrupto e aberto, mas que – dadas as incógnitas que deixa – acaba por não ser o mais adequado. Ao contrário de outras curtas premiadas que vi na mesma sessão, «Rafa» peca por ter 3 ou 4 minutos a menos. Fora isso, 5 estrelas e prémio bem atribuído. Sou só eu que estou ansioso por ver uma longa deste realizador?
| João Moreira |
(responsável pelo blog subjective.movie.reviews)

