Construído como um filme com, e para crianças, «Taking Chances» é a viagem à família de uma rapariga cujo pai é médico e tem de viajar constantemente para zonas de conflito. E apesar de ela saber que o pai não está na linha da frente das batalhas, a pequena Kiek não fica descansada com a ida do pai «para a guerra», pois qualquer pessoa pode sempre apanhar com uma bala perdida.
Assim, e seguindo uma lógica muito infantil, Kiek começa a ver tudo em torno de probabilidades. Segundo a sua teoria, ela conhece apenas um rapaz que perdeu o pai, outro que perdeu um rato e ainda outra cujo cão tenha morrido. Assim, e no seu entender, como não conhece ninguém que tenha perdido as três coisas ao mesmo tempo, ela decide apanhar e deixar morrer um rato ou então lidar com a morte de um cão. Não, não vamos entrar por caminhos macabros de extermínio de animais, pois como disse acima, este é um filme infantil. Obvio que Kiek não vai matar um animal (ainda que haja um momento em que isso esteve perto). A ideia é comprar um rato velho numa loja de animais, ou mesmo roubar um velho rafeiro a uma velhinha da sua rua.
Apesar de ter passado pela Berlinale (secção gerações), este filme holandês vai encontrar na TV a sua maior popularidade, pois a forma como está construído a tudo se assemelha ao formato de pequeno ecrã. O facto de na realização estar Nicole van Kilsdonk, uma mulher mais habituada à TV, faz também que a forma seja mais televisiva que outra coisa. Ainda assim, isto não significa uma perda direta de qualidade, apesar de serem notórias as limitações.
Um outro dos aspetos a destacar é a introdução de pequenas sequencias animadas quando a jovem começa a pensar as coisas na sua perspetiva, sendo muitas vezes as suas ideias epicamente ingénuas e dignas de uma criança que não tem ainda bem noção das coisas. Ora se por um lado as crianças poderão achar muita graça a tudo, os adultos sorriem, mas colocam o filme num degrau inferior.
Por isso mesmo, «Taking Chances» acaba por sofrer de sérias limitações, não só na produção como já referi, mas no alvo do público a abranger.
Sendo os EUA um país em constante guerra, não é de um excluir que um dia possa surgir uma versão americana desta história, mas antes disso acontecer teria de se encerrar a saga «Diário de um Banana», pois apesar de aqui a temática ser diferente, o estilo de contar a história é de certa maneira semelhante…
| Jorge Pereira |

