Como cativar um espectador em cinco minutos?
Na primeira cena desta obra assistimos a um jovem (Dimitar Gjorgjievski) a beijar de forma bastante apaixonada uma mulher (Victoria Abril, uma das atrizes fetiche de Almodóvar). As coisas aquecem e o jovem cada vez está mais excitado, enquanto a mulher o vai afastando. Aos poucos, os beijos transformam-se (quase) numa violação e esta só não ocorre porque a mulher o agride. Pouco depois ficamos a descobrir que esta mulher e este jovem são mãe e filho.
Dificilmente não ficam agarrados a um filme que começa assim, com um twist chocante, logo a abrir. Mas tenham calma, pois os problemas desta família ainda agora começaram a ser expostos. Passados uns minutos desta revelação, o jovem suicida-se, não antes de revelar à mãe que o pai o violou quando era pequeno numa visita a Lisboa.
Dificilmente não ficam agarrados a um filme que começa assim, com um twist chocante, logo a abrir. Mas tenham calma, pois os problemas desta família ainda agora começaram a ser expostos. Passados uns minutos desta revelação, o jovem suicida-se, não antes de revelar à mãe que o pai o violou quando era pequeno numa visita a Lisboa.
Entretanto abandonamos Paris e agora visitamos a Macedónia. Aí assistimos a uma mulher (Labina Mitevska) já com um filho, mas que vive com o seu pai (Firdaus Nebi) num pedaço de terra perdido nas zonas rurais do país. Esta mulher, Ajsun, anseia pelo regresso de Lucien (Arben Bajraktaraj), o pai do seu filho (um rapaz que passa quase todo o filme com uma máscara do Homem-Aranha), e que teve de emigrar (fugir) para tentar arranjar dinheiro para a comprar a noiva ao patriarca da família (que basicamente o quer matar após ele ter engravidado a filha).
Sem querer revelar demais, pois este é um filme de descobertas e twists, Lucien será o elo de ligação entre estas duas histórias que aparentemente nada têm em comum, mas que no fundo representam duas mulheres no limite das suas forças mentais e das suas capacidades em lidar com as coisas.
Realizado por Teona Strugar Mitsevska, o filme viaja num estilo naturalista (especialmente na Macedónia) mas sempre estilizado, imperando sempre um tom dramático e discrepante nos estilos de vida opostos das duas mulheres e existindo mesmo um toque fantasista (como na cena de levitação). Também a escolha cuidada de planos executados pela cineasta funcionam muitas vezes como uma marca de estilo, sendo frequentes as variações entre close-ups intrusivos e planos mais amplos recheados de obstáculos que nos cortam a visão dos eventos.
Uma nota final para os atores, todos com um bom rendimento, sendo de destacar Mitevska, quer pela forma expressiva com que trabalha a sua atormentada personagem, quer por sonhar que o seu príncipe vai chegar e levá-la daquelas masmorras. Ela acredita e nós também
A ver…
| Jorge Pereira |

