Em «Wilaya» (que literalmente significa vilaiete, ou provincia) acompanhamos um dos maiores problemas mundiais e que estranhamente parece esquecido: o dos refugiados do Saara Ocidental que ainda permanecem desterrados em campos de refugiados após a caótica descolonização espanhola.
Tudo isto é visto pelo espectador através da história de Fatimetu (Nadhira Mohamed), a personagem central do filme, que apesar de ter nascido nesses campos, foi adotada por uma família espanhola e viveu a sua vida em Valencia, onde tinha o namorado e amigos.
A visita à sua antiga casa é passageira, ou pelo menos ela pensa que sim, e acontece como forma de visitar os seus parentes biológicos: um irmão tradicionalista e uma irmã que sonha em aprender a conduzir, pois isso significa liberdade.
Realizado por Pedro Pérez Rosales, esta obra ficcional acompanha assim um drama pessoal ao mesmo tempo que documenta as condições em que (ainda) vivem estas pessoas, bastante limitadas, quer pelas condições do espaço, quer por várias tradições (que dizem, por exemplo, que as mulheres servem para ter filhos). E se por um lado este filme acaba por ser um trabalho etnográfico curioso, no campo dramático as coisas não correm muito bem, até porque não acontece quase nada durante o filme. Na realidade, a fita tende a querer apresentar uma jovem dividida entre dois mundos, mas o facto de ela passar quase o tempo todo a conduzir e fazer entregas, nem tempo dá para existir muita introspeção. Valem assim as conversas que vai mantendo com a sua irmã, uma jovem com uma deficiência física mas com uma genica excecional.
Ainda assim, e apesar de ser uma obra muito morna para o calor do deserto do Saara, Nadhira Mohamed oferece-nos uma atuação segura, onde alguns detalhes como a paixoneta que o vizinho tem por ela, e a história de um frigorifico, não chegam para que a obra escape à mediania e ao esquecimento rápido.
| Jorge Pereira |

