Mohamed, Mounir e Nouredin são três imigrantes de 2ª geração, filhos de pais marroquinos, mas que já nasceram na Holanda e é aí que vivem. Sem qualquer ligação ao local, este grupo sistematicamente sente-se excluído da sociedade onde se insere e como consequência, os próprios afastam-se também dela. Por isso mesmo, e sem maior ambição que o divertir-se mais um pouco, estes jovens passam dias e dias apenas na rua, ora a não fazer nada, ora a fumar erva, mas sempre a arranjar sarilhos e conflitos por serem tratados como clichés (que no fundo acabam por ser). É no snack bar de Ali, um turco de meia idade, que os rapazes passam a vida, sendo este um amigo e o mais próximo que todos têm de uma figura paternal. Caberá assim ao espectador assistir ao dia a dia destes jovens, numa clara tentativa de descoberta da sua identidade e do seu lugar no mundo.
Esta é uma temática comum no cinema europeu, trabalhada com mais ou menos profundidade por diversas cinematografias e cineastas. É impossível não nos lembrarmos de «Ódio» ao assistir a este «Snackbar», pois tal como nos subúrbios de Paris, encontramos neste filme uma juventude que não se identifica com nada, que tem poucas oportunidade e que desaproveita as que tem a troco do lucro fácil. As suas angústias e a inabilidade interior de mudar a sua condição acabam por ser reprimidas e expelidas de forma violenta, sendo comum a todos entrarem em pequenas lutas por tudo e por nada.
Realizado por Meral Uslu, ela própria proveniente de uma família de imigrantes turcos na Holanda, este é um projeto que prima pelo olhar realista daqueles que «fazem as estatísticas de desintegração» social. Ainda assim, ao mostrar a diferença entre estes rapazes e Ali, o filme foge do fatalismo e apresenta um exemplo de como as escolhas são possíveis para alterarmos a nossa condição.
Pena é que não exista uma maior reflexão sobre as mulheres imigrantes de 2ª geração, pois estas (e pelo pouco tempo de antena que o filme lhes reserva), parecem fugir ao completo separatismo que os homens tendem a ter em relação a tudo o que está em seu redor. Talvez assim fosse possível encontrar causas mais objectivas para esta disfunção social que não tem apenas um culpado ou um único vilão a quem possamos apontar o dedo.
| Jorge Pereira |

