Estreado no Festival de Slamdance em 2010, «Old Dog» demorou a chegar a Roterdão, mas a espera valeu a pena, até porque estamos perante um filme num estilo realista que acompanha a forma como um velho homem mantem a sua integridade e a tradição e não cede aos novos tempos e às novas tendências.
Gonpo (Drolma Kyab) é um homem que após vários assaltos a cães na região decide livrar-se/vender o Mastiff lá de casa, uma raça agora muito desejada pela classe urbana mais rica na China. O preço que ele consegue até é razoável, mas quem odeia a ideia é o seu pai, um velho homem que criou o cão desde pequeno. Colocando a polícia ao barulho, este ancião consegue reaver o seu velho cão, mas num Tibete cada vez mais «achinesado», especialmente nos valores, a verdade é que as tentativas de tirarem o cão ao homem não ficam por aqui.
Realizado em câmaras digitais por Pema Tseden, este filme é uma longa e pausada contemplação a uma família com problemas e ideais antigos em tempos modernos e que tem grande dificuldade em «vender» a sua integridade, especialmente o mais velho, pois o filho deste até parece entrar bem neste mundo. No fundo, esta família é uma espécie de metáfora à questão tibetana, com o afastamento da China e da sua cultura pelos mais idosos, e a maior abertura dos jovens.
Com planos longos, filmados à distância, fugindo a close-ups e com poucos (ou nenhuns) movimentos da câmara, a saga relatana nesta obra acaba por atrair um público muito ligado ao cinema arthouse. E se por um lado o filme perde alguma intimidade por esse olhar alargado e distante, por outro ganha em termos de posicionamento do homem na imensidão de um mundo em mudança e com pouca esperança para quem quer manter os valores pessoais intactos…
| Jorge Pereira |

