IFF Roterdão 2012: «Tokyo Playboy Club» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
«Tokyo Playboy Club» é o nome de um dos muitos clubes noturnos de Shinjuku (Tóquio) que oferece infinitos prazeres. Aqui também a base de todos os eventos, ou onde as personagens se encruzilham neste drama gangster nipónico. 
 
As influências do cineasta Yosuke Okuda são várias, mas a Quentin Tarantino e Sion Sono são óbvias, especialmente porque todo o ambiente em torno do filme entra diversas vezes em situações surreais, que se tornam ainda mais poderosas porque podem perfeitamente acontecer nesta Tóquio de becos, vielas e clubes fantasistas perfeitos para este género de filmes.
 
Katsutoshi abandona a cidade depois de uma patetica luta no trabalho e encontra no Tokyo Playboy Club, propriedade de um amigo seu, o refugio. A partir daí ele começa a lidar com a «limpeza» do local, funcionando como uma espécie de segurança para além dos limites óbvios. Nesse espaço trabalha também Takahiro (Yasushi Fuchikami), uma espécie de porteiro, relações publicas que necessita de muito mais dinheiro do que o que ganha, até porque engravidou uma jovem, sem que a sua namorada, Eriko (Asami Usuda), saiba disso. 
 
E se Takahiro decide roubar a casa onde trabalha, Katsutoshi espanca inadvertidamente um gangster local, colocando o patrão de ambos (e dono do Tokyo Playboy Club) à beira de um ataque de nervos. Sucedem-se então as peripécias, mas nunca as fantásticas personagens chegam ao fundo do seu potencial. Pelo contrário, Okuda parece querer implantar mais detalhes curiosos que propriamente criar um fio condutor entre personagens e situações, atafulhando muitas vezes a narrativa com as tais situações bizarras, ao invés de polir o que tem para lhes dar mais impacto. 
 
O entretenimento é assim sacrificado parcialmente, sendo porém inesquecível não lembrar de alguns momentos puramente geniais. Os tiques de trabalhos anteriores, deste cineasta como a saga «Hot as Hell», repetem-se em diversos momentos, num filme repleto de gente que de certa maneira está no plano B da sua existência, pois em algum momento da vida falharam. A entrada  no mundo criminal é assim periclitante, repleta de contrariedades e ingenuidades que em muito explicam porque eles não estão num nível acima, e se ocupam de um clube noturno onde não vemos sequer clientes.
 
Como tal, e em jeito de conclusão, «Tokyo Playboy Club» é um curioso exercício repleto de boas ideias, personagens cheias de potencial e histórias atraentes e caricatas. Pena é que Okuda não consiga levá-las além dos bons conceitos, pois podíamos estar perante uma obra-prima. Com isto, Okeda permanece como uma promessa e não uma certeza como já seria de esperar.
 
 
 Jorge Pereira
 

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