«Blue Bird» é uma adaptação livre de um trabalho do inicio do século XX de Maurice Maeterlinck. A ação decorre agora em território Tamberma, no Togo, e toda a estrutura da narrativa baseia-se nos ensinamentos e mitos dos povos da região. Assim, este trabalho etnográfico viaja num mundo entre o onírico e o real, entre a morte e a vida, recorrendo a muitas fantasias e mitos locais, tudo através dos olhos de duas crianças.
Numa manhã, Bafiokadié e a sua irmã Téné estão a brincar com um pássaro azul. A mãe chama-os para tomarem banho e quando regressam eles reparam que o pássaro desapareceu. Destinados a encontrar a ave, os dois abandonam a aldeia e entram numa verdadeira jornada real e metafísica. Pelo caminho eles encontram diversas personagens, sejam os rabugentos avós – já falecidos – seja o pai, seja um grupo de crianças prontas para nascer. Muitos destes conceitos vêm do misticismo dos povos locais, que acreditam por exemplo que os recém-nascidos vêm de outro mundo, para onde os falecidos também vão. Depois há inúmeras personagens caricatas caídas no caminho das crianças, como o Chefe do Prazer, ou o Rei do Tempo.
Aplicando uma saturação visual em tons azuis roubados do título, esta África é muito diferente das ideias pré-concebidas, viajando os dois meninos por um mundo emocionante de crescimento espiritual, com consequências físicas no desarmante final.
Porém, e no compito geral, esta é uma viagem mais curiosa que conseguida, e onde o estilo e forma sobrepõe-se à substância , tirando assim fulgor dramático a uma enxurrada de conhecimentos sobre os povos da região.
| Jorge Pereira |

