O cinema espanhol é imparável. Para além de produzir sistematicamente sucessos mainstream, sejam dramas, comédias ou filmes de terror, existe uma outra Espanha, a verdadeiramente independente que vai conquistando Festivais. «Iceberg» é um filme nesta linha, um ensaio independente, muito mediativo e com poucas palavras para contar a história simples de diversos jovens a chegar à idade adulta.
Um desses miúdos é obrigado a crescer devido à morte do pai. A última lembrança que ele tem deste é um anel (agarrado ainda a um dedo) que encontra junto ao local onde ele e o pai sofreram um acidente de viação. As coisas complicam-se quando um cão pega no dedo e foge com ele, ingerindo-o posteriormente. É nas tentativas do jovem em recuperar o anel que o filme se guia, acabando este miúdo por se cruzar com outros jovens nessa sua jornada.
Em comum a todos estes jovens há uma angustia interior, como se tivessem dentro de si o tal iceberg que lhes congela os sonhos e ambições. Esta é uma temática comum no cinema independente, sendo frequentes as incursões de cineasta nas chamadas histórias coming-of-age. E nos últimos anos há casos brilhantes. «Iceberg» não é de todo brilhante, mas mostra o esforço em apresentar a sua narrativa de uma forma diferente e especial. Com isto, e apesar de o cineasta dar alguma unicidade à sua história, há um evidente sacrifício do entretenimento, sendo muitas vezes uma obra enfadonha na sua contemplação – ainda que frequentemente ágil quando os eventos mais relevantes surgem em cena.
Ainda assim, «Iceberg» merece uma olhadela, mas só se o apanharem em algum festival pois em termos comerciais o filme não tem, de todo, qualquer futuro…
| Jorge Pereira |

