Entre 1926 e 1929, o México esteve perante uma luta entre a Igreja Católica e o Estado que levou a um conflito armado que ficou conhecido como a Guerra Cristera (também conhecida como Guerra dos Cristeros e Cristiada). Este conflito iniciou-se por um levantamento popular contra as legislações anticlericais da Constituição Mexicana de 1917. Nessa constituição existiam artigos que proibiam manifestações religiosas, quer fossem missas, toques dos sinos ou meros atos, como rezar.
Realizado por Matias Meyer, o filme acompanha os últimos momentos do conflito, seguindo o espectador um grupo de homens que podem bem ser «Os últimos dos Cristeros» e que se recusam a aceitar a amnistia governamental, continuando a sua luta como soldados de Cristo.
Porém, e em vez de optar por mostrar as próprias batalhas em si, Meyer prefere acompanhar o isolamento e desnorte destes homens entre as situações de conflito, estando muitos deles já em completo desespero para voltarem para as suas famílias e com sérias dúvidas sobre a causa e os meios que usam. Por isso mesmo, muitas vezes as personagens entram em diálogos e monólogos que tentam afastá-los dos atos dos seus opositores, mas tal como andam em círculos a evadir-se das tropas, mentalmente estes homens parecem estar também desorientados com o seu futuro, deixando o espectador também confuso e com pouco interesse no que vê.
Por isso mesmo, «Los últimos cristeros» é um filme mais orgânico que espetacular, fugindo da apresentação normal deste género de conflitos e focando-se no estado mental de personagens que parecem ser as últimas da sua espécie. O resultado final é um filme morno, até porque não há nenhuma personagem que o cineasta cuide suficientemente para criarmos uma certa empatia, mantendo o espectador (também) um olhar demasiado distante.
| Jorge Pereira |

