O ano de 2011 marcou os 25 anos do acidente de Chernobyl, um evento trágico ocorrido em 1986 numa região da Ucrânia, mas que teve consequências globais. Ainda assim, o filme mostra essas consequências localmente, centrado num grupo de histórias de alguns habitantes locais que viram as suas vidas mudar radicalmente após o sucedido. Em particular, a nossa atenção foca-se numa mulher que se casou no dia do acidente e cujo desenlace a levou a afastar-se do marido, um bombeiro designado para conter o acidente na central nuclear.
O filme acompanha a dois tempos os eventos, quer na altura do desastre, quer 10 anos depois, em que a mulher, desempenhada por Olga Kurylenko(Quantum of Solace), trabalha agora como guia turística na região.
Por usar esses dois mesmos tempos de uma maneira convencional o filme é de certa maneira desritmado, pois se existe alguma tensão durante a ocorrência da catástrofe, sempre vista de forma distante e na forma como afeta as pessoas, quando viajamos para o presente, e para o estudo traumático das mudanças nas vidas das pessoas da região, as coisas não são assim tão interessantes.
No fundo existe uma incapacidade generalizada em ultrapassar os eventos, um passado tão difícil de ultrapassar e uma terra impossível de escapar, como os anos que serão precisos para a descontaminação geral.
Tendo em conta o material com que estamos a lidar, e ainda que as interpretações estejam em bom nível, «Land of Oblivion» não deixa assim de ser um pouco convencional na abordagem que a cineasta israelita Michale Boganim utiliza para contar a sua história, sendo frequente sentirmo-nos numa espécie de soap opera. Existem momentos de contemplação e que transmitem sensações ambíguas, mas tudo parece pouco intrusivo no que diz respeito à verdadeira psique humana, à raiz traumática, transparecendo a natural confusão de sentimentos e a dificuldade em passar à frente de histórias passadas.
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De qualquer maneira, este é um filme com algum interessante de ver e que sem dúvida fará carreira em diversos festivais, nem que seja pela relevância que os problemas ecológicos e humanos resultantes duma tragédia costumam ter nos certames.
Uma última nota para Olga Kurylenko, que comanda um filme que podia ter ido mais além do que foi.
| Jorge Pereira |

