É comum, em quem escreve críticas, utilizar a frase que «isto é mais que um filme». No caso especifico de «The Orator» essa frase deixa de ser subjetiva e passa a entrar no campo do facto indesmentível, não fosse este a primeira longa-metragem produzida pela Samoa, um pequeno país mais conhecido pela sua equipa de Rugby. Como tal, «The Orator» é muito mais que um filme, é História.
Na obra seguimos Saili, um agricultor que vive na sua aldeia com a sua esposa e a sua filha adolescente. O facto de ser anão não o ajuda a ganhar o respeito dos seus vizinhos e habitantes da vila, que frequentemente abusam dele, quer seja quando plantam culturas junto à campa dos seus antepassados, quer seja quando o atacam na loja que ele defende durante a noite. As coisas pioram quando a beleza da sua filha começa a amedrontar as esposas da região e a atrair os homens. Conseguirá este homem ganhar a força do respeito dos demais e impor, por uma vez que seja, a sua vontade?
Convenha-se que este é o tipo de filme que os americanos adoram, a do homem que contra todas as expectativas consegue lutar por aquilo que merece. Por isso mesmo, o filme foi o selecionado pela Nova Zelândia na corrida aos Óscares, mas o seu passo lento e pouco espetacular acabaria de trair essa ambição. Compreenda-se que a velocidade a que a vida corre na Samoa é diferente das metrópoles ocidentais, onde tudo e todos estão com pressa para algo. Ora esse lento passo é no entanto absorvente pelo tom contemplativo das personagens, que juntamente com uma cinematografia épica (já não se via aquele verde da vegetação desde «A Barreira Invisivel») criam um projeto com grande interesse, não só etnográfico mas também cinematográfico.
Um último destaque para Fa’afiaula Sanote, o pequeno grande ator que dá à sua personagem o que ela precisa e que vai desde a repressão interior, ao desespero, passando naturalmente pela coragem e instrospecção do seu lugar no mundo.
| Jorge Pereira |

