«Win Win» (Todos Ganhamos) é mais um exemplo de um filme que passou com algum burburinho no festival de Sundance de 2010 e que acabou desterrado no nosso mercado de Home Video.
Brilhantemente protagonizado por Paul Giamatti, sempre em grande forma, no filme seguimos um advogado de uma pequena firma que curiosamente também é treinador de luta livre numa escola. A vida não corre de feição a este homem e as limitações do seu emprego levam-no a assumir-se como tutor de um idoso que começa aos poucos a ser afectado pela demência. O objectivo é ficar com a pensão deste, e esta injecção monetária vem aligeirar os seus dramas quotidianos. As coisas complicam-se quando surge o neto deste homem e pioram ainda mais com a chegada da mãe do rapaz/filha do idoso. Porém, Mike Flaherty (Giamatti) vai encontrar na queda do jovem rapaz para luta livre para reviver e finalmente ser sucedido, ainda que saiba que uma história que começa torta dificilmente se endireita.
Com boas prestações do elenco e um enredo que dá que pensar, «Todos Ganhamos» merecia mais que esta chegada directa ao mercado de DVD, até porque é um filme que coloca o espectador com sentimentos contraditórios e paradoxais – por sabemos que a personagem de Giamatti não agiu bem com a situação, mas acaba por ser o menos mal para ela.
Uma nota para a realização de Tom McCarthy («O Agente da Estação», «O Visitante») que mais uma vez prova que para se chegar ao humor e ao drama não é preciso seguir os caminhos habituais e que mesmo personagens cliché podem muito bem criar uma história única, moderna e atraente.
O Melhor: O Paradoxo de sensações
O Pior: Ir directamente para o mercado de Home Video
| Jorge Pereira |

