Um dos primeiros aspectos de «La Vida de Los Peces» que salta logo à vista é a maturidade que Matías Bize, actualmente com 32 anos de idade, atingiu à sua quarta obra. Realizador de filmes como «Sabado, una película en tiempo real», «En la Cama» e «Juego de Verano», o chileno voltou a pegar num dos seus temas preferidos neste «La Vida de Los Peces», uma obra sincera e que tem na sua fotografia, banda sonora e especialmente nos diálogos (numa forma e estilo a lembrar Eric Rohmer & Richard Linklater), apresentando-nos uma temática tão vista no cinema, que é difícil ainda existirem surpresas. Mas elas existem aqui, nem que seja no tom honesto e humano (com tremenda exposição de erros e lamentos) com que toda a obra é caracterizada.
No filme seguimos Andrés (Santiago Cabrera), um jornalista que vive fora do Chile há vários anos e que aproveita o seu regresso ao núcleo de antigos conhecidos para tentar manter o contacto, ainda que tenham sido os seus amigos a convence-lo a ficar mais umas horas no local. E logo à partida denota-se a sensação de deslocamento e um intimidante revistar do passado, especialmente quando Andrés reencontra a sua grande paixão, Beatriz, aquela pessoa que ele realmente sentiu que poderia ser sua para sempre. Porém o destino, ou o seu egoísmo, afastou-o dela e este reencontro é melancólico, fustigado de nostalgias temporais ainda que se sinta que existe – não uma verdadeira chama – mas algumas brasas que se mantiveram intactas.
Como tal o filme prossegue centrado no reencontro, sempre com o recurso ao minimalismo de um espaço apenas (uma festa onde nem nos interessa saber quem é o anfitrião), e com a temática do «E se…» como núcleo central.
Para adensar esta tensão melancólica entra em jogo o brilhante jogo de cores que a cinematografia carrega em determinados pontos, como os tons azulados que nos remetem sistematicamente para uma sensação de áquario humano, não fossem estas almas, pessoas que seguem as suas vidas mas que ficaram marcadas por decisões que não conseguem fugir.
Em suma, este é um belíssimo filme, magistralmente realizado e interpretado e mais um emocionante exemplo de uma das mais belas e revigorantes cinematografias mundiais: a chilena.
A não perder…
O Melhor: Os diálogos que nos fazem aproximar cada vez mais das personagens
O Pior: Passou completamente ao lado do mercado da distribuição cinematográfica em Portugal
| Jorge Pereira |

