A solidão e as disfunções humanas são o grande destaque deste «Nothing All Bad», uma obra dinamarquesa com a assinatura de Mikkel Munch-Falls e que por mais que uma vez me fez revisitar «Hapiness» de Todd Solondz e «Visitor Q» de Takashi Miike.
Na obra seguimos quatro personagens com diversos problemas. De um lado temos uma professora que acabou de perder uma mama. Devastada com a situação e com a perda do sex-appeal, a jovem encarcera-se num muro solitário onde anseia por ser desejada. Seja por quem for. Por outro lado também seguimos a história de homem que luta por perder o fetiche do exibicionismo, e que por causa disso viu a mulher sair de casa. Já o seu filho é um prostituto, com um problema de drogas e que ganha a jorna engatando mulheres ou homens num bar decadente. Finalmente temos uma senhora já de certa idade que se vê «reformada» por obrigação e sem o marido, entretanto falecido. Devastada com a solidão, ela vai encontrar conforto no contacto social forçado, algo que lhe vai trazer algumas situações peculiares.
«Nothing All Bad» não é um filme fácil de assistir. E apesar de não ter a violência gráfica de «Visitor Q» de Takashii Miike, os temas que abordam e o seu poder da sugestão não é para todos. O filme, sem nunca ser explícito, aborda temáticas como prostituição, a pornografia com mutilados, a pedofilia, o sadismo, o exibicionismo e mesmo a mutilação genital, o que demonstra bem que estamos longe de um trabalho fácil de ver ou de génese e âmbito comercial.
Porém, não se pense que temos alguma espécie de «A Serbian Film». «Nothing All Bad» é acima de tudo um drama de vidas profundamente solitárias e reprimidas que o destino ou a coincidência se vão vai intersectar.E não haja dúvidas. Este é um filme de amores ou ódios, mas profundamente inesquecível…
O Melhor: Os actores cumprem muito acima da média.
O Pior: A intersecção das personagens é previsível
| Jorge Pereira |

