“Red Hill” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
O cinema australiano é, sem sombra de dúvidas, aquele que cria os ambientes mais tenebrosos e uma sensação de desconforto latente com o abuso constante do papel das suas paisagens como personagens fulcrais nos seus enredos. E isso acontece quer seja na cidade (“Animal Kingdom”, “Noise”), ou em espaços naturais (“Wolf Creek”, “The Proposition”, ”Open Water“), indiferente ao género cinematográfico (até “Crocodile Dundee” gerava a espaços uma sensação de desconforto no meio daquelas paisagens).
 
Em “Red Hill” isso volta a ocorrer, estando porém os eventos relacionados apenas com um dia e uma noite.
 
Shane Cooper é um polícia australiano que abandona a grande cidade e vai trabalhar numa pequena e praticamente abandonada cidade australiana. Com ele vai a sua esposa grávida, Alice. Mal chega, o temor apodera-se da policia, que descobre que um perigoso criminoso das redondezas escapou da sua cadeia de alta segurança e que provavelmente vai voltar à sua terra para conseguir a vingança.
 
{Com policias e milicianos, a cidade inteira mobiliza-se para travar o temível homem, numa espécie de “Assault on Princint 13” + “The Count of Montecristo) com fundo australiano e onde uma esquadra é trocada por um imenso território.
 
A partir daqui começa um filme intrigante e violento, sempre com a sensação de desconforto latente, especialmente depois do criminoso ter tido a hipótese de matar Shanne e não o ter feito. Que estará então por trás da vingança desse homem e porque razão toda a gente da cidade (e não só o policia que o deteve) teme o seu regresso?
 
Com cenários mínimos, Patrick Hughes consegue com a ajuda de Tim Hudson na cinematografia criar tensão com poucos elementos, erguendo ainda um tom de western através das suas personagens da Austrália profunda, ao mesmo tempo que o criminoso executa a sua vingança.
 
Uma nota especial para o elenco, que não tem absolutamente nenhum destaque a realçar, mas que funciona como um bloco para que o filme funcione.  E funciona bem, sem deslumbrar. Um thriller de vingança clássico numa intriga convencional, mas perfeitamente funcional e que por vezes viaja ao terror série B nos atos de vingança.
 
O Melhor: O desconforto criado com cenários e situações mínimas.
O Pior: A intriga é convencional e reciclada
 
 
Jorge Pereira
 
 
 
 
 

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