Grande vencedor do Festival do Cairo, onde além de arrecadar o prémio do júri e do público, ainda viu o seu ator principal (Mahmood Bakri) ser distinguido, “Alam” discorre pelos trilhos da modernidade e do ser um jovem palestino integrado na sociedade israelita; um coming-of-age de múltiplas camadas que traça um retrato individual do despertar amoroso e sexual de um rapaz, mas também social e político, que se expande progressivamente para o quadro de uma geração retida numa espécie de purgatório entre dois mundos, duas culturas e duas identidades.
Tudo se passa num vilarejo na Galileia, onde um grupo de jovens de origem palestina integram um colégio israelita. A lente do estreante em longas-metragens Firas Khoury (Maradona’s Legs) centra a sua atenção em Tamer, rapaz de inclinações artísticas (Mahmood Bakri) que frequenta o último ano do liceu. A política não é o seu forte, nem o seu pai de classe média quer que ele se envolva nisso, mas ele inclina-se para a “ação” e ativismo quando trava conhecimento com Maysaa (Sereen Khass), uma bela moça da sua escola, e quando um amigo, Safwat (Muhammad Abed Elrahman), desafia numa aula a narrativa histórica imposta por um professor. Do burburinho, nasce uma missão (não falem em “operação”): o instalar uma bandeira da Palestina no mastro da escola, onde a bandeira de Israel esvoaça permanentemente.
Khoury, que escreveu o argumento, escolhe uma abordagem naturalista para construir um filme que tanto captura os dramas habituais dos adolescentes, – amores, drogas e diversão – mas ao mesmo tempo analisa uma tomada de consciência política sem qualquer tipo de panfletarismo, evocando uma geração longe da faixa de Gaza com ganas de viver, mas com mais dúvidas que certezas.
Diferente dos filmes-manifesto a que estamos habituados vindos destas paragens, “Alam” parece anunciar uma nova estirpe no cinema da região, com uma modernidade pouco vista e sentida, especialmente na vida noturna pessoal de um conjunto de miúdos, enquanto serve igualmente de olhar multigeracional a uma questão que arrasta há quase um século. E esse ponto de comparação é feito com recurso à análise das figuras masculinas familiares de Tamer, onde temos um pai que quer seguir em frente na questão e preparar o filho para uma vida diferente da sua, mas simultaneamente um tio com problemas mentais, derivado de uma detenção ilegítima por parte do estado de Israel com a acusação de terrorismo.
No final, “Alam” revela-se uma boa surpresa e de alguma forma um refrescar no cinema da religião, onde drama, humor e romance se misturam de forma bem doseada e madura, sem com isso faltar um olhar terno e ingénuo que sente sempre orgânico e não artificial.




















