Existem tantas estrelas – Christian Bale, John David Washington, Margot Robbie, Alessandro Nivola, Andrea Riseborough, Anya Taylor-Joy, Chris Rock, Matthias Schoenaerts, Michael Shannon, Mike Myers, Taylor Swift, Zoe Saldaña, Rami Malek – como curvas, contracurvas e estradas secundárias no guião que David O. Russell desenvolveu para o seu “Amsterdam”, um thriller de mistério, uma sátira descarada, uma comédia madcap, mas também um aviso sério para os tempos atuais, nunca esquecendo o seu carácter de evocação do “Business Plot” que ocorreu no início dos anos 1930.

Amsterdam” tem todo glamour e intensidade como a personagem interpretada pela novata na atuação Taylor Swift. E, tal como a personagem interpretada pela cantora, o espectador acaba por ser empurrado e atropelado para uma sucessão de eventos, em diferentes tempos, que nem sempre estão bem alinhados e montados de forma a dar coerência ao filme.

Tentando desemaranhar a trama, “Amsterdam” começa por nos introduzir ao Dr. Burt Berendsen (Christian Bale), um médico veterano de guerra que carrega no corpo as mazelas da Primeira Guerra Mundial e que agora assume a função de tratar de outros feridos do conflito na Nova Iorque dos anos 1930.Logo após ser chamado para executar uma autópsia secreta, e juntamente com o advogado Harold Woodsman (John David Washington) e Valerie Voze (Margot Robbie), o médico vê-se envolvido numa conspiração diabólica que o vai colocar a ele entre a fuga e a resolução dos mistérios que acumulam.

A estrutura narrativa de “Amsterdam” não é muito diferente da de “American Hustle”, outro filme de Russell, mas o resultado final é consideravelmente inferior por um misto de confusão e atafulhamento do guião com enredos e subenredos que nunca se conseguem unificar num filme sólido, coerente e bem ritmado. É que no meio do caos – que se pensa organizado, mas nunca o é – o espectador acaba por se perder, desinteressar e aborrecer, especialmente no terceiro ato onde as resoluções apressadas e diretas – sem espaço para segundas interpretações – tornam-no num exercício plástico e dispensável, como se uma trupe de commedia dell’arte chegasse a uma praça com um espectáculo que se atropela em complexidades, mas no final se desata da forma mais simplória possível.

E no meio disto tudo, se o tridente Bale-Washington-Robbie consegue criar de alguma forma de empatia com o espectador por as suas personagens e relações estarem um pouco melhor ordenadas e exploradas, todos os outros sentem-se como cameos dependentes das suas personas cinematográficas ao serviço de um guião superlotado que os reduz a bonecos.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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