A grande paixão de Gunel é fotografar objetos inanimados. Por isso, quando vemos no início deste “Hollow” – nova extravagância de Onur Ünlü- a sua predileção por tirar fotos em cemitérios, sabemos que iremos estar perante uma comédia negra que nos vai levar ao Chipre depois de um colega dele falecer e ele ocupar o seu lugar num prémio atribuído pela empresa onde trabalha. Chegados ao Chipre, uma série de desastres vai acompanhar Gunel, que tem no seu vizinho do lado uma companhia nesta jornada repleta de malapatas e cadáveres.

Gunel, interpretado por Serkan Keskin, tem muito do espírito das habitualmente interpretadas por Dany Boon (e até Checco Zalone) nos seus filmes, ou seja, existe nele uma mistura de azar, hipocondria, contradições e medos que fazem desta fita um One man show de contornos obscuros. E essa negritude surge especialmente quando, a certo momento, Gunel percebe que o seu vizinho do lado não é apenas um idoso simpático sempre pronto a ajudar, mas um potencial assassino com um passado potencialmente perigoso e um jardim preparado para receber novos habitantes para a eternidade.

Um pouco desritmado, apesar de o humor estar sempre presente, “Hollow” – em competição no Festival de Antália – nunca consegue prender completamente o espectador numa narrativa que deve muito ao cinema anglo-saxónico, especialmente quando os cadáveres começam a se amontoar e as dúvidas tornam-se em certezas no meio de cobras venenosas, gatos desaparecidos, pernas partidas e duas enfermeiras como interesse amoroso.

E embora nunca seja desesperantemente aborrecido, o filme nunca consegue sair do produto derivativo que já vimos em qualquer lugar e que depende totalmente da sua estrela e da sua atuação, minada de tiques e uma expressividade muito própria.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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