Se “Kerr” foi o que chamamos o filme WTF do último Festival de Antália, num registo próximo do absurdo com forte simbologia política, desta vez a slot do bizarro e estranho coube a “Iguana Tokyo”, filme que nos leva ao metaverso para questionar se o subconsciente pode satisfazer a fome real do indivíduo preso numa realidade que esse mesmo subconsciente alimenta.
Ambientado na Tóquio do futuro, este regresso do realizador galardoado em Veneza por “Sivas”, segue de perto uma família, pai, mãe e filha, que tal como a maioria dos habitantes da cidade, ricos ou pobres, estão viciados num jogo de realidade virtual onde se podem perder livremente e concretizar as fantasias. Porém, e aos poucos, realidade e ficção começam a confundir-se, pondo em risco a harmonia do casal e a sua própria existência.
Espesso em material sugestivo e visualmente estimulante na transição entre mundos reais e construídos, onde não faltam momentos de verdadeiro pesadelo, muitas dúvidas e contradições, “Iguana Tokyo” – apesar de ter apenas 78 minutos – peca por se sentir que a sua história labiríntica se adaptaria melhor ao formato de curta-metragem, e por claramente o realizador achar que não dando respostas ou interpretações nos conquista apenas com a sua forma conceptual. E esta ideia, esta conceção, que fez parte dos projetos inseridos no Workshop de Cannes – Cannes L’Atelier, invariavelmente leva-nos a objetos como “Inception”, “13th Floor” e “Matrix”, embora nos tempos que correm façam muito lembrar o mais recente cinema húngaro de índole fantástica, que frequentemente invade certames como Sitges e o Fantasporto.
Por isso mesmo, antevê-se uma carreira para o filme no circuito internacional de filmes de género, mesmo que no seu final sintamos que estamos perante um filme com mais ideias que realizações, e com mais perguntas lançadas para o infinito apenas para dar um ar mais intelectual daquele que realmente tem.




















