Não sei o que será pior em “The Ledge” (No Fio da Navalha), um thriller de sobrevivência de baixa qualidade e orçamento que noutros tempos teria ficado escondido numa prateleira obscura e poeirenta de um videoclube. Da fraca direção de atores (para não culpar os atores em si) à forma inacreditavelmente “lame” de apresentar flashbacks por uma montagem tão desastrosa como risível (a que a banda-sonora se junta), “The Ledge” é uma pequena ideia com cabeça, tronco e membros trancada no corpo de uma longa-metragem obsoleta com diálogos tão pouco naturais e fracos como os que vemos em muitos slashers, quando o primeiro grupo de vítimas (mais figurantes que atores) é imediatamente chacinado por um qualquer vilão.

E basta ver os primeiros minutos do filme para perceber logo isso, quando duas jovens, Kelly (Brittany Ashworth) e Sophie (Anaïs Parello), se cruzam com quatro rapazes numa região montanhosa (diz que é Itália), onde se preparam para escalar. Dos piropos iniciais até uma tentativa de violação, seguida de assassinato, vão apenas alguns minutos, cabendo a Kelly fugir do grupo, em particular do seu líder (Ben Lamb), o grande vilão desta caçada que vai envolver alguns planos montanhosos interessantes, mas uma tentativa frequentemente frustante de criar tensão. 

Os melhores momentos de “The Ledge” são mesmo quando todos os atores em cena estão silenciosos e são as próprias condições naturais do local, como uma cobra ou um pico elevado, que representam o próprio perigo. O problema é que também estes momentos, além de serem escassos, são entrecortados pelos tais flashbacks absurdos, onde o falecido namorado de Kelly, em modo “sensei”, a ajuda a aprender escalada, soltando frases lindas à la Karaté Kid, como “usa a mente, não os músculos.”

Por isso, “The Ledge” é um daqueles filmes que não merece grandes hipóteses numa sala de cinema, até porque a sua própria linguagem cinematográfica e escala, mesmo com um par ou outro de imagens bonitas, gritam mais “telefilme” que Cinema.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
no-fio-da-navalha-um-thriller-sem-thrills-nem-chillsOs melhores momentos de “The Ledge” são mesmo quando todos os atores em cena estão silenciosos e são as próprias condições naturais do local que representam o perigo.