É entre o entretenimento corriqueiro, onde não falta uma reviravolta (previsível), e a mensagem social contra o tráfico de pessoas que “Paradise Highway” (Perseguidas) joga com as emoções do espectador e o acorrenta a um filme que demora a arrancar, mas lá consegue, levando-nos para um thriller dentro dos mínimos olímpicos da satisfação.

Juliette Binoche, que confessou ao C7nema que nunca poderia recusar o papel de camionista em terrenos norte-americanos, é a chave deste objeto cinematográfico sobre traumas, novas oportunidades e a família além da consanguinidade. É ela, Sally, que aceita, mais uma vez, ajudar o irmão que está encarcerado (Frank Grillo). Ela acode à missão de transportar um produto no seu camião, mudando radicalmente de ideias quando descobre que esse mesmo produto é uma pequena rapariga, raptada e incluída numa rede de tráfico. 

À parte do tridente de personagens/atores (Binoche, Grillo e Hala Finley), que também demora a carburar e a conquistar a empatia do espectador, temos dois polícias, interpretados por Cameron Monaghan e Morgan Freeman, que começam a investigar um assassinato e acabam por chegar à rede de tráfico, iniciando a sua perseguição e assim cruzando-se na sua rota com Sally.

Primeira longa-metragem de Anna Gutto, que já conta com várias curtas e mesmo a correalização de uma série de TV (Home for Christmas), “Paradise Highway” nunca parece escapar do modelo de filme de produtor/estúdio, mesmo que pelo meio (e na sua vertente mais curiosa), foque o lado feminino da camionagem, e tenha uma forma de capturar os espaços e locais (especialmente o camião) como personagens num universo muito particular.

Mas no final das contas, este é mais um daqueles projetos vendidos a granel, nunca saindo do entretenimento descartável e momentâneo, capaz de nos acompanhar durante pouco mais de 90 minutos, mas facilmente esquecido à mesma velocidade. A presença de atores com nome e carisma ajuda a conquistar a atenção do espectador, mas qualquer um deles parece sempre estar a jogar em terreno demasiado familiar, nomeadamente Freeman e Grillo, que parecem apenas prolongar alguns papéis que tiveram no passado.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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