Adaptação do livro japonês “Maria Beetle” de Kotaro Isaka, no qual um grupo de assassinos – de alguma forma ligados entre si – cruzam-se num comboio rápido da Tōhoku Shinkansen (linha rápida), no Japão, “Bullet Train” começou a ser idealizado por Antoine Fuqua (produtor e realizador de filmes como “Dia de Treino”) como um thriller de ação num espaço confinado à la “Die Hard”, mas, sinal dos tempos, rapidamente a ideia transitou para a criação uma comédia de ação ultraviolenta que parece tanto beber influências no cinema pós-Tarantino que Jan Kounen e Guy Ritchie assinaram, como no hilariante universo de lutas mirabolantes que Jackie Chan nos mostra há várias décadas, e – naturalmente – na tendência atual do cinema negro de ação em sempre a olhar para o que “John Wick” e “Deadpool” conseguiram nas bilheteiras.
Do primeiro minuto às cenas que vão aparecendo já durante os créditos finais, nada neste “Bullet Train” de David Leitch (“Atomic Blonde“; “Deadpool 2”) é para se levar a sério, tendo o espectador de entrar em cena já com o botão on na suspensão da descrença.
No centro de tudo está Brad Pitt, nome de código “joaninha”, um azarado assassino que se enfia num comboio-bala com uma missão clara e aparentemente simples, mas que se vai complicar quando se começa a cruzar com outros assassinos também eles orientados para o seu objetivo. Neles, os mais carismáticos e capazes de roubar várias vezes os holofotes são os gémeos, Limão (Brian Tyree Henry) e Tangerina (Aaron Taylor-Johnson), personagens que podiam ter saído de “Snatch”, mas que por entre divagações sobre a série infantil “Thomas e seus amigos” [adaptada a partir do conjunto de livros “The Railway Series“] e alguns tropeções se colocam como alvo de um super criminoso chamado Morte Branca (Michael Shannon). A bordo há também uma cobra assassina, além de personagens sempre fortemente estilizadas como a Vespa (Zazie Beetz), o Lobo (Bad Bunny), Príncipe (Joey King) e Kimura (Andrew Koji), este embarcado no comboio com desejos de vingança.
Todos eles se vão cruzar e chocar nas missões e ambições a bordo, sempre acompanhados por uma direção de fotografia a jogar com a força da iluminação artificial na busca de tonalidades contrastantes e uma montagem acelerada por cortes rápidos que aumentam o ritmo e a intensidade perante perseguições, lutas e até explosões. E tudo sempre intercalado por entre rasgos de comédia negra e muito nonsense, onde não faltam piadas cáusticas capazes de incomodar a modernidade (curiosamente, o filme foi acusado de “whitewashing“, mas é numa ironia em torno do “mansplaining” que faz surgir a maior gargalhada).
No final, temos um filme de verão escapista, sem grande originalidade, é verdade, mas capaz de agarrar o espectador e envolvê-lo num espectáculo hiperbólico de violência estilizada e humor, onde não falta uma mão cheia de cameos e 2 horas e pouco de duração porque os tempos atuais também o exigem.




















