Há uma beleza invariável e um grande arrojo pessoal e profissional, digno do grande ecrã, neste “Geographies of Solitude“, documentário da canadiana Jacquelyn Mills, que visita a ilha Sable (na província canadiana da Nova Escócia) e a vida da naturalista Zoe Lucas através de um objeto imersivo de puro cinema que nos arrasta para um pedaço de paraíso natural onde acabam por chegar, via mar, as marcas da poluição global e a nossa derrota perante a poluição.
E este é um filme ecológico em toda a sua extensão, não apenas pelo mostrar o trabalho diário de recolha de informação que Lucas executa, mas porque foi filmado em 16mm com recurso a técnicas e materiais amigos do ambiente, deixando claro que as soluções aos riscos e problemas que o mundo apresenta, como a proliferação do plástico e borracha a entupirem os mares podem começar a ser resolvidos com um cuidado especial e individual, como o que a própria cineasta teve na produção do seu filme (e que se estendeu igualmente ao arranjo sonoro).
E esta viagem ao mundo de Zoe Lucas não é uma mera jornada “Into The Wild“, mas de verdadeira recolha de conhecimento e ambições de proteção de um ecossistema único que chega ao grande ecrã em toda a sua glória. Recorrendo a filmagens durante vários períodos do ano, a gravações em áudio e vídeo do passado, que nos levam às origens da mudança de vida desta mulher e o seu trabalho na ilha, desde os anos 70, “Geographies of Solitude” revela-se um triunfo em toda a sua extensão, servindo como objeto didático e de inspiração a um mundo mais sustentável, mas também mostrando um lado muito pessoal e íntimo de Lucas, refletindo sobre a sua opção de vida que poderá certamente inspirar outros a seguirem a mesma rota “natural” e de proteção da natureza.

















