“Taurus”, novo filme de Tim Sutton, é uma ficção, mas ao colocar Colson Baker, mais conhecido no mundo artístico como Machine Gun Kelly, a fazer o papel do músico autodestrutivo Cole Taurus, partilhando a mesma estética, sonoridade e gosto em mulheres (Megan Fox faz de ex-namorada de Cole), o projeto ganha alguns contornos híbridos, próximos da docuficção.
Até mesmo filmagens do seu set em Lollapalooza, no verão passado, estão em cena, tal como as músicas de Kelly, deixando o espectador em território misto, entre o ator e a personagem, o que é de um e o que pertence ao outro.
Perceba-se, porém, que estamos mesmo perante um arco narrativo ficcional, acompanhando Cole na sua rota de destruição, entregue a uma pedra de quartzo de “estimação”, sempre com falta de humildade e variações de humor que o colocam em conflito e turbulência permanente. As drogas, visitas de uma escort, ou idas a clubes de strip funcionam tantas vezes como um escape a uma realidade com que ele não consegue lidar convenientemente, incluindo-se aí a filha de quem tem a custódia por alguns dias, mas com quem nada interage.
Mas é longe de Cole que o filme começa. A primeira sequência que vislumbramos é mesmo de um jovem a assassinar os pais com uma arma encontrada em casa, seguindo-se a introdução de uma cantora em ascensão que vai fornecer a sua voz a um tema de Cole. Inicialmente, o espectador pensa que quer a primeira história como a segunda terão um acompanhamento mais cuidado (e até relevância) durante o filme, mas depois percebe-se que essas cenas apenas servem de apoio para evidenciar a história da personagem título.
Sutton filma toda esta viagem ao universo da música, da fama e de todos os problemas adjacentes a isso com um olhar entre o real e o estilizado, havendo claras diferenças e contrastes no tratamento das sequências diurnas, quase sempre em modo “ressaca”, e as noturnas, onde Cole explora os prazeres alienadores dessa mesma realidade.
Nesse aspeto, o cineasta faz bem o jogo entre os dois mundos, orientados sempre para a autodestruição sem uma explicação, razão ou julgamento, mas nesta viagem desorientada e desnorteada não falta a sensação que tudo o que está em cena já foi por demasiadas vezes visitado no cinema, não acrescentando este “Taurus” uma verdadeira frescura.

















