Esteticamente apresentado num 16mm granulado e suavemente montado para nos apresentar a intersecção de personagens e histórias que confluem a determinado momento num mundo turbulento, a terceira longa-metragem de Yamasaki Juichiro surge em Roterdão como um exercício de estilo sem excessos, um estudo de personagens cuidado e uma análise tão precisa como abstrata de um local em transfiguração. 

Yamabuki” já foi um termo usado para o pagamento de subornos no passado (referência à cor das moedas, igual à flor amarela que representa) e o nome da uma personagem feminina neste filme. Essa variedade de aplicações do termo evoca o carácter de transformação da palavra nas suas mais distintas variações, uma transformação que a personagem feminina com esse nome também evoca por aqui.

O foco deste filme são duas histórias, e uma terceira com consequências para todas. De um lado seguimos Chang-su (Kang Yoon-soo), um sul-coreano que vive na pequena cidade japonesa de Maniwa com Minami e a sua filha. Promessa do mundo equestre no passado, afogado em dívidas no presente e desejoso de fazer família, o homem é foco de atração de diversas situações que o vão fazer cruzar com a personagem de Yamabuki (Inori Kilala), uma adolescente introvertida que inicia uma série de ações de ativismo silencioso nas ruas, gerando a indignação do pai, um polícia.

Temas como a identidade são essenciais nesta obra, bem como as contradições da transição da ruralidade para a modernidade, um tópico com ramificações físicas, mas sobretudo humanas. Há também espaço para um olhar ao amor nos tempos atuais (com toques de humor), bem como um olhar a disfunções familiares quotidianas sem uma abordagem conservadora ou clássica.

No final, temos um filme muito simples na sua complexidade, com Yamasaki Juichiro a conseguir criar raízes de empatia com as suas personagens em transição, sempre na descoberta identitária e passagem para um novo estado.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
yamabuki-transformacao-num-mundo-em-turbulenciaUm filme muito simples na sua complexidade, com Yamasaki Juichiro a conseguir criar raízes de empatia com as suas personagens em transição