
Apesar de o filme “Petition”, do chinês Zhao Liang, e “October Country”, dos americanos Michael Palmieri e Donal Mosher, terem sido os vencedores da Competição Internacional do DocLisboa 2009, foi uma obra portuguesa a destacar-se no certame, ao arrecadar três prémios na Competição Nacional.
Falamos de “Pare, Escute e Olhe”, que levou para casa os galardões de melhor longa-metragem nacional, melhor montagem, e ainda o Prémio Escolas – atribuído por um júri de alunos do liceu. Nela aborda-se o encerramento da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela, os problemas que sentenciaram o rumo do desenvolvimento, a desertificação e a ameaça da construção de uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas ferroviárias da Europa.
“Pare, Escute, Olhe” é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto‐estrada.
Já “Petition” acompanha os habitantes da “aldeia das petições”, um bairro improvisado em Pequim onde se acomulam centenas de pessoas que vêm à capital tentar que os serviços governamentais anulem decisões judiciais ou municipais corruptas ou injustas.
“Mirages”, de Olivier Dury, venceu o prémio para melhor média-metragem; e o da melhor curta estrangeira foi para “10 Min” de Jorge Léon. “The Revolution that Wasn´t”, de Aliona Polunina, ganhou o prémio para melhor documentário de investigação.
Finalmente, na competição nacional, para além dos prémios a “Páre, Escute e Olhe”, a melhor curta foi para “Passando à de Zé Marovas”, de Aurora Ribeiro, que também escolheu o interior e a desertificação como tema, desta vez na raia alentejana. “Com que Voz”, de Nicholas Oulman, venceu o prémio de melhor primeira obra e a menção especial foi para a “Entrevista com Almiro Vilar da Costa”, de Sérgio Costa.

